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Animais de rua estão mais vulneráveis no interior do Amazonas

Vários casos de maus-tratos aos animais têm sido registrados no interior do Amazonas

Amazonas (AM) – Animais em situação de rua estão cada vez mais vulneráveis no interior do Amazonas. Nesta semana, tomou repercussão nas redes sociais o caso de um filhote de cachorro sem raça definida que foi agredido por uma mulher com um chute na cabeça na Vila de Balbina em Presidente Figueiredo (distante 107 quilômetros de Manaus). A agressão foi flagrada pela população e filmada antes de ser denunciada a uma equipe de proteção animal.

De acordo com o protetor de animais Amauri Gomes, o animal foi resgatado na manhã de segunda-feira (9) e o caso denunciado na delegacia da cidade. O cachorro tem apenas 45 dias e desde que chegou à casa vinha sofrendo sucessivas agressões.

“Assim que tomamos conhecimento do caso fomos até a as autoridades onde conseguimos identificar a autora das agressões, no entanto, fomos até a casa onde resgatamos o animal, mas a mulher já havia se evadido do lugar. A cada dia que passa o número de denúncias e agressões aos animais tem aumentado. Tanto é que do ano passado para cá aumentou em 130%. No interior, com o período da cheia e de chuvas é afetada a renda das famílias e os animais ficam à mercê com falta de alimentação e de cuidados veterinários”, explicou Amauri.

Para Amauri as denúncias de maus-tratos no interior não são consideradas relevantes. “No interior, essas denúncias não são levadas a sério e é importante que haja uma campanha não só da própria população, mas sim de órgãos públicos para que eles saibam atender ocorrências em que animais necessitem ser resgatados entre outros”, destacou.

Maus-tratos a animais

Animais ficam mais sujeitos aos maus-tratos no interior do Amazonas (Foto: Reprodução/protetoramaurigomes)

A coordenadora da Associação Amor de Quatro Patas que atua em Itacoatiara reforçou que ainda há muitos casos de maus-tratos a animais no interior.

“Temos inúmeros casos de agressões a animais em Itacoatiara e estamos tentando caminhar todos os dias para melhorar a vida dos animais no município. Nossa principal dificuldade é a questão de abrigos temporários, pois não temos sede própria. Não há incentivo tão grande da sociedade em relação a custos e nem doações. É um trabalho lento e difícil que estamos tentando a cada dia. Já lidamos com vários casos chocantes, como de uma pessoa que atirou em um cachorro que felizmente sobreviveu”, relatou.

O médico veterinário Bruno Figueiredo afirmou que no interior o período de cheias deixa os animais em situação de rua vulneráveis e é propício a doenças.

“Existem várias doenças que podem acometer cães e gatos no período de cheia, a principal delas é a leptospirose que é uma bactéria transmitida principalmente pela urina de roedores. As micoses também podem causar um problema dermatológico nos animais, e essa pele fica propicia para que em contato com água contaminada, levar o animal a ter problemas gravíssimos que podem levar até a morte”, afirmou o médico veterinário.

Figueiredo também destacou os problemas gastrointestinais nos animais. “Cólera é uma doença muito comum nesses animais em situação de rua que acabam bebendo essa água contaminada e adquirindo bactérias. Com isso vem a diarreia, a desidratação e com isso vem as mortes.  Outra doença bem comum é a hepatite infecciosa pelo consumo também da água contaminada e cinomose porque é um vírus passado pela urina que é carregada pela chuva para todos os lados”, destacou.

Para Bruno Figueiredo há uma grande vulnerabilidade de animais em situação de rua no interior do Estado. “Infelizmente existe essa vulnerabilidade e nem o estado como o município conseguem resolver toda essa demanda, pois não há assistência para isso. Precisamos de políticas públicas voltadas para isso”, concluiu.

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