À medida que o ano letivo de 2026 se aproxima, a compra de materiais escolares preocupa pais e responsáveis no Amazonas.

O que antes parecia simples, escolher cadernos, canetas e lápis, se tornou, nos últimos anos, um verdadeiro desafio financeiro.

Estabilidade nos preços, mas custos ainda elevados

Uma pesquisa recente do Procon-SP, realizada em dezembro de 2025, mostra que, em média, os preços dos materiais praticamente se mantiveram estáveis em relação ao ano passado, com aumento de apenas 0,14%, abaixo da inflação oficial.

Apesar da estabilidade média, os gastos das famílias continuam elevados. Estima-se que o total destinado a material escolar tenha passado de R$ 34,3 bilhões em 2021 para R$ 49,3 bilhões em 2024.

Alguns produtos ficaram mais caros, como cadernos, tesouras sem ponta e lápis de cor. Já apontadores, canetas esferográficas, giz de cera e papel sulfite registraram queda de preços.

A diferença de valores para o mesmo item pode chegar a 276% entre estabelecimentos, o que reforça a importância de pesquisar antes de comprar.

Pesquisa de preços é essencial

No comércio, os preços permanecem estáveis. Allan Bandeira, fundador das Lojas Tropical em Manaus, afirma que não houve variação em relação a 2025.

Ele ressalta que atuar tanto no atacado quanto no varejo contribui para manter preços competitivos. “A loja trabalha tanto no atacado quanto no varejo, o que ajuda a manter os preços”.

Além disso, Bandeira também enfatiza a importância da pesquisa por parte dos pais: “A dica é pesquisar, fazer orçamento e conferir bem a relação de materiais antes de comprar”.

Orientações do Procon e cuidados legais

O Procon-AM alerta que os reajustes devem respeitar os índices oficiais de inflação: “Houve aumento nos preços dos materiais escolares em comparação ao ano passado. No entanto, esses reajustes devem ocorrer dentro dos índices oficiais de inflação”.

O órgão também chama atenção para práticas irregulares nas escolas: “De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, a escola não pode obrigar os pais a comprar marca, modelo ou fornecedor específico, pois isso caracteriza venda casada”.

Para reduzir gastos, o Procon-AM recomenda planejamento e pesquisa: “A principal orientação é se antecipar, aproveitar promoções e planejar bem as compras. A plataforma ‘Busca Preço’, da Sefaz, pode ajudar a encontrar o item mais barato”.

Pais relatam aumento

Apesar do resultado das pesquisas, a industriária Priscila Almeida, mãe de duas crianças, percebeu um aumento nos gastos com material escolar: “Este ano, gastei bem mais do que no ano passado. Os itens que mais subiram foram os cadernos e os lápis de cor”.

De acordo com ela, tentou reaproveitar pastas e estojos, mas precisou comprar muitos itens novos. “Consegui reaproveitar algumas coisas do ano passado, mas muita coisa precisou ser comprada nova, principalmente os cadernos”, relata.

Priscila também notou diferenças de preços entre os locais de compra: “As papelarias especializadas oferecem mais variedade e produtos específicos, mas acabam sendo mais caras. No supermercado e em lojas de departamento, alguns itens são mais baratos, mas nem sempre a qualidade é a mesma”.

Setor de comércio

Apesar dos desafios, o setor continua otimista. O Grupo Queiroz prevê crescimento de 15% nas vendas em 2026.

Conforme o diretor Anderson Queiroz, embora parte das compras ocorra antecipadamente, a maior demanda se concentra em janeiro.

“Com algumas escolas iniciando o ano letivo no final de janeiro, já percebemos um aumento significativo de clientes nas lojas”.

Por fim, para atender à demanda, o grupo amplia horários e oferece parcelamento em até seis vezes sem juros.

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