A Polícia Civil indiciou Samuel Sant’Anna da Costa, conhecido como Gato Preto, pelo acidente que ele provocou com um Porsche em 20 de agosto do ano passado, na movimentada Avenida Faria Lima, em São Paulo.
O indiciamento, realizado na segunda-feira (19), atribuiu ao influenciador quatro crimes do Código de Trânsito Brasileiro (CTB):
- Lesão corporal culposa na direção de veículo automotor (art. 303).
- Embriaguez ao volante, por dirigir com capacidade psicomotora alterada devido a álcool ou drogas (art. 306).
- Fuga do local do acidente para evitar responsabilidades (art. 305).
- Inovação artificiosa, ou seja, alteração do local ou retirada de pertences do Porsche antes da perícia, para induzir autoridades a erro (art. 312).
Se for condenado, Gato Preto pode somar as penas, já que os crimes ocorreram simultaneamente. Ele pode pegar até sete anos de prisão, considerando a punição máxima para cada delito.
O acidente
Gato Preto dirigia um Porsche 911 Carrera por volta das 6h30 da manhã. Bia Miranda estava no banco do passageiro. Um motorista de Hyundai HB20 aguardava o semáforo abrir, quando o Porsche colidiu violentamente contra seu carro.
Imagens do sistema Smart Sampa confirmam que Gato Preto avançou o sinal vermelho e trafegava em alta velocidade. Com o impacto, ambos os veículos foram arremessados para o canteiro central. O passageiro do HB20 sofreu fratura na mandíbula.
Testemunhas relataram que, logo após o acidente, Gato Preto riu da situação, humilhou as vítimas e fez ameaças antes de fugir do local. O segurança de Bia Miranda retirou objetos do Porsche e levou o casal embora, prejudicando a preservação da cena do acidente.
Um vídeo mostra os veículos destruídos, especialmente o Porsche, com airbags acionados. Para as autoridades, Gato Preto assumiu o risco de causar o acidente.
Indiciado sem depor
Gato Preto foi intimado diversas vezes, mas não compareceu devido a desistências sucessivas de seus advogados. Por isso, a Polícia Civil o indiciou indiretamente. Mesmo sem depoimento, a investigação reuniu imagens do Smart Sampa, relatos das vítimas e um laudo toxicológico que apontou álcool, MDA e THC no organismo do influenciador.
Ministério Público vê tentativa de homicídio
Enquanto a Polícia Civil acusa Gato Preto de crimes do CTB, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) entende que a conduta configura homicídio tentado com dolo eventual.
Segundo a promotoria, dirigir em alta velocidade, sob efeito de álcool e drogas, e avançar o sinal vermelho mostra que Gato Preto assumiu o risco de matar alguém. O MPSP solicitou redistribuição do caso a uma Vara do Júri, decisão aceita pela Justiça. A denúncia formal ainda não foi apresentada.
Se acusado de homicídio tentado com dolo eventual, Gato Preto será julgado pelo Tribunal do Júri. A pena prevista varia de seis a 20 anos para homicídio simples e de 12 a 30 anos para homicídio qualificado, podendo reduzir de um a dois terços conforme as circunstâncias.
(*) Com informações do Metrópoles
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