Único bloco com trio elétrico de boi bumbá na cidade, o BumbaBloco chega à quinta edição com expansão artística, experiências gastronômicas amazônicas, personagens da encantaria e ações para crianças e novos talentos.

No meio da folia paulistana, um som vindo do Norte volta a ocupar as ruas de Santana, zona sul de São Paulo, reafirmando que o Carnaval é também espaço de memória, identidade e pertencimento.

No dia 16 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval, o bloco realiza sua 5ª edição, consolidando-se como o único cortejo de rua da cidade com trio elétrico dedicado ao boi bumbá.

A concentração começa às 13h, com DJ Sandro, na Rua Viri, nº 0, e a programação oficial segue das 14h às 18h.

Mais do que um desfile, o BumbaBloco oferece uma experiência cultural que mistura música, dança, narrativas simbólicas e sabores amazônicos, conectando São Paulo à ancestralidade do Norte.

Origem e identidade cultural

Criado há sete anos, o BumbaBloco nasceu do desejo de construir pontes entre territórios.

Ao levar para as ruas toadas, cores e personagens do boi bumbá, o projeto tornou-se ponto de encontro para nortistas que vivem na capital paulista e, ao mesmo tempo, para foliões interessados em outras formas de celebrar o Carnaval, longe dos estereótipos folclóricos.

“Criamos um espaço que não existia em São Paulo, onde a cultura amazônica é protagonista, viva e contemporânea, não como folclore distante, mas como identidade em movimento”, afirma Fernanda Palermo, co-fundadora e produtora do bloco.

Foto: Divulgação

Estrutura e experiências ampliadas em 2026

A edição de 2026 marca um novo salto na estrutura e na potência artística.

O que começou de forma simples, com músicas reproduzidas por pendrive, agora se traduz em cortejo com trio elétrico, banda ao vivo, artistas convidados, coreografias inéditas e espetáculo de dança pensado para envolver o público de todas as idades.

Além disso, a programação inclui ações voltadas às crianças, reforçando o caráter lúdico e educativo do evento.

Cultura amazônica também pelo paladar e pelo imaginário

Entre as novidades deste ano, o público poderá vivenciar a cultura amazônica pelo paladar, com food trucks especializados na gastronomia da região.

Enquanto isso, personagens sobre pernas de pau, inspirados no folclore brasileiro, circulam pelo espaço, dialogando com o imaginário popular e ampliando a dimensão cênica do desfile.

O bloco segue como vitrine para novos talentos, abrindo espaço para artistas independentes ligados à cultura popular.

Diversidade como prática concreta

A diversidade do BumbaBloco não está apenas no discurso.

Ela se materializa na composição da equipe, dos artistas e do público, reunindo pessoas indígenas, quilombolas, trans, LGBTQIA+, mulheres, crianças, idosos e pessoas neurodivergentes em um mesmo espaço de celebração coletiva.

O conceito artístico da edição reforça que a Amazônia é viva, contemporânea e culturalmente gigante.

Em resposta a apagamentos históricos e estigmatizações, o bloco aposta em narrativa visual e simbólica inspirada na encantaria amazônica, com figuras como Curupira, Yara e a Mãe d’Água, convidando o público a uma experiência que atravessa música, memória e imaginação.

Foto: Divulgação

Repertório e atrações do cortejo

O desfile apresenta repertório centrado nas toadas do boi bumbá, mesclando composições clássicas e contemporâneas, além de ritmos como o carimbó.

Estão confirmados o Grupo Amazônida’s, os cantores Jackson Junior e João Paulo Reis, artista de Parintins com trajetória consolidada em palcos paulistanos, além do DJ Sandro Durões e Denilson Mega Planet.

Além disso, personagens simbólicos como Sinhazinha, Cunhã-poranga e Pajé integram o cortejo, representando o Festival de Parintins e fortalecendo o intercâmbio cultural entre diferentes territórios.

Visibilidade e representatividade nacional

Assim como em 2024, o BumbaBloco promove uma torcida organizada em apoio à representante da cultura amazônica no Big Brother Brasil, ampliando o debate sobre visibilidade, representatividade e ocupação de espaços de destaque nacional.

“Resistir por sete anos com uma identidade cultural tão específica é algo raro e profundamente simbólico. O BumbaBloco existe porque acredita na força da coletividade e na potência da cultura popular”, destaca Regiane Miranda, co-fundadora e gestora de projetos.

Com olhar voltado para o futuro, o bloco projeta ações além do Carnaval.

Estão no horizonte oficinas de artesanato, dança, percussão e saberes tradicionais, além da expansão do projeto para outras cidades e estados, sempre com atenção à preservação da essência cultural amazônica.

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