A operação Erga Omnes que investiga um suposto grupo criminoso ligado ao Comando Vermelho resultou na prisão de oito pessoas no Amazonas na manhã desta sexta-feira (20/02) em Manaus. Ao todo, 14 investigados foram presos em diferentes Estados.

Segundo as investigações, o grupo utilizava influência dentro de órgãos públicos para obter informações sigilosas e facilitar ações da quadrilha. Entre os alvos estão servidor do Judiciário, policial civil, ex-assessores parlamentares e um policial militar.

Saiba quem são os presos no AM

Izaldir Moreno Barros: era servidor do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas e atuava como motorista de desembargadora no órgão. De acordo com a polícia, ele recebia pagamentos para fornecer informações sigilosas de processos que tramitavam em segredo de Justiça, o que teria beneficiado o grupo criminoso;

Adriana Almeida Lima: ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas e professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Relatórios de inteligência financeira apontam transações milionárias relacionadas ao esquema.

Anabela Cardoso Freitas: investigadora da Polícia Civil. Conforme a apuração, ela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção por meio de empresas de fachada;

Alcir Queiroga Teixeira Júnior: investigado por participação no núcleo financeiro responsável por movimentações consideradas suspeitas;

Josafá de Figueiredo Silva: ex-assessor parlamentar de vereador, apontado como integrante da rede de influência do grupo;

Osimar Vieira Nascimento: policial militar preso sob suspeita de envolvimento com as atividades do núcleo político investigado;

Bruno Renato Gatinho Araújo: preso no Amazonas e incluído entre os investigados da operação.

Ronilson Xisto Jordão: preso no município de Itacoatiara por suposta participação no esquema.

Uma mulher identificada como Lucila Meireles Costa também foi presa na operação, no Centro de Teresina (PI). Ela é suspeita de atuar como falsa advogada para corromper servidores da Justiça do Amazonas com o objetivo de obter informações em processos sigilosos.

O suposto líder do esquema criminoso Allan Kleber Bezerra Lima e outros oito investigados estão foragidos.

Operação

De ex-assessor parlamentar a policial, saiba quem são os presos do grupo criminoso ligado ao CV
Foto: Mauro Neto/ Secom

Além das prisões, a Justiça expediu 24 mandados de busca e apreensão. Também foram autorizados bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário e fiscal.

As ordens judiciais são cumpridas em Manaus e em cidades como Belém e Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA). Segundo a polícia, foram identificadas movimentações financeiras e conexões operacionais do esquema nesses Estados.

De acordo com as investigações, a organização criminosa movimentou mais de R$ 70 milhões desde 2018, média aproximada de R$ 9 milhões por ano, atuando em conjunto com criminosos do Amazonas e de outras unidades da federação.

Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

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