Manaus (AM) – Uma expedição liderada pelo biólogo Richard Rasmussen e pelo influenciador fitness Renato Cariani percorreu cerca de 1.500 quilômetros da Rodovia Transamazônica em uma jornada de sete dias até a capital amazonense. O grupo também contou com a participação de criadores de conteúdo como Julio Balestrini e outros influenciadores digitais.

Mais do que uma aventura off-road, a expedição teve como principal objetivo expor, de forma direta e sem filtros, a realidade enfrentada por milhares de pessoas que dependem das rodovias que cortam a Amazônia, como a BR-319.

Expedição quer dar visibilidade aos problemas da Transamazônica

Richard Rasmussen deixou claro que o desafio foi planejado com um propósito maior. Segundo ele, a ideia é provocar debate público sobre a situação da BR-230 e 319 e de outras estradas da região Norte.

“Uma das minhas missões com essa viagem é dar visibilidade para os problemas dessa estrada. É muito importante a gente discutir as soluções pra isso”, afirmou.

O biólogo criticou o que classifica como abandono histórico da infraestrutura na Amazônia. Para ele, é contraditório que uma das regiões mais ricas do planeta em biodiversidade conviva com isolamento logístico e ausência de serviços básicos.

“A Amazônia é um lugar tão rico, mas a gente vê tanta falta de tudo aqui. Não tem infraestrutura, não tem estrada. A região está isolada, e isso não é justo. A Amazônia não é feita só de árvores e animais. É feita de pessoas”, declarou durante a viagem.

Richard também defendeu uma nova política ambiental que concilie preservação e desenvolvimento sustentável. Segundo ele, é preciso equilibrar a proteção ambiental com dignidade e qualidade de vida para a população local.

Condições precárias da BR-230 desafiam motoristas

A Transamazônica é considerada uma das rodovias mais emblemáticas e desafiadoras do Brasil. Inaugurada na década de 1970, durante o regime militar, a estrada foi criada com a promessa de integrar regiões isoladas e impulsionar o desenvolvimento econômico.

Décadas depois, muitos trechos continuam sem pavimentação. No período chuvoso, a lama toma conta da pista e transforma a rodovia em um verdadeiro teste de resistência. A presença de atoleiros, erosões e pontes improvisadas dificulta o tráfego de veículos de passeio, caminhões e ônibus.

Para comunidades que dependem da BR-230 para escoar produção agrícola, buscar atendimento médico ou se deslocar entre municípios, os problemas são constantes.

BR-319 também entra no debate sobre infraestrutura

Durante a expedição, o grupo também abordou a situação da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A rodovia vive há anos a expectativa de pavimentação completa, mas enfrenta entraves ambientais, disputas judiciais e impasses técnicos.

A estrada é considerada estratégica para a integração do Amazonas ao restante do país por via terrestre. No entanto, as obras avançam lentamente e frequentemente esbarram em exigências relacionadas a estudos de impacto ambiental.

Para defensores da pavimentação, a melhoria da BR-319 poderia reduzir o isolamento logístico da região. Já críticos alertam para riscos de desmatamento e ocupação irregular. O impasse mantém a rodovia como símbolo do conflito entre desenvolvimento e preservação.

Veículos preparados para enfrentar lama e atoleiros

Para enfrentar o percurso extremo, os participantes utilizaram veículos preparados para terrenos off-road. Richard Rasmussen percorreu grande parte do trajeto a bordo de um UTV Turbo.

UTV é a sigla para Utility Task Vehicle, um veículo utilitário desenvolvido para terrenos severos. Diferente de um quadriciclo, o modelo possui volante, bancos lado a lado, cinto de segurança e estrutura reforçada com gaiola de proteção. A versão turbo oferece potência extra, essencial para superar áreas alagadas, trechos de terra pesada e atoleiros comuns na Transamazônica.

Mesmo com veículos adaptados, o grupo enfrentou dificuldades ao longo do trajeto, incluindo lama profunda e trechos praticamente intransitáveis.

Veículo é apreendido em Manaus

Ao chegar a Manaus, na noite de sábado (21), Richard teve o UTV apreendido durante fiscalização da Polícia Rodoviária Federal. Segundo as autoridades, o modelo não é permitido para circulação em via urbana, o que motivou a retenção do veículo.

Transmissões ao vivo e recepção de fãs

Durante os sete dias de viagem, Richard realizou transmissões diárias em seu canal no YouTube. Ele mostrou bastidores, desafios enfrentados na estrada e relatos sobre a realidade da região.

A chegada à capital amazonense foi marcada por recepção de fãs no Porto da Ceasa. O encontro encerrou a jornada, que combinou aventura, interação com o público e discussão sobre infraestrutura e políticas públicas para a Amazônia.

A Transamazônica, que nasceu como símbolo de integração nacional, ainda representa, para muitos, um retrato das dificuldades logísticas enfrentadas pela região Norte. A expedição reacende o debate sobre como equilibrar preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida para quem vive na floresta.

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