Empreender em logística na Região Norte nunca foi simples. Distâncias continentais, dependência dos rios e limitações estruturais sempre impuseram desafios adicionais às empresas. Nos últimos anos, porém, as estiagens severas passaram a testar ainda mais a resiliência do setor, afetando diretamente a cadeia produtiva do Polo Industrial de Manaus (PIM) e elevando o nível de incerteza sobre prazos, custos e previsibilidade.
Ainda assim, o setor amadureceu. A avaliação é de Clóvis Leite, fundador da Logistiké, empresa em crescimento no segmento de armazenagem e soluções logísticas no Amazonas. “A indústria e toda a malha logística conseguiram se adaptar ao ‘novo normal’ dos períodos mais fortes de estiagem. Apesar de afetar fortemente os custos, aquele cenário de risco de ‘blackout’ logístico já não é algo tão presente”, afirma. Para ele, a chegada de novas indústrias e novos investimentos reforça que, apesar das adversidades, o modelo da Zona Franca de Manaus segue ativo e economicamente relevante.
Os impactos, no entanto, não desapareceram, apenas mudaram de natureza. Se antes o maior temor era a paralisação total, hoje o principal desafio é a pressão permanente sobre os custos. “O Polo aprendeu rápido a se adaptar. O grande problema agora é o custo adicional que essa adaptação trouxe para as indústrias”, resume. Na prática, isso significa mais capital imobilizado em estoques, maior necessidade de planejamento e operações cada vez mais sofisticadas.
Fundada em 2023, a Logistiké reflete esse novo momento da logística regional, em que tecnologia, antecipação e eficiência deixaram de ser diferenciais e passaram a ser requisitos de sobrevivência. A empresa saiu de um faturamento de cerca de R$ 300 mil no primeiro ano para R$ 2,4 milhões em 2024 e R$ 11 milhões em 2025, um crescimento que acompanha a própria transformação do setor. “Somos uma empresa muito jovem, mas madura”, define Clóvis.
Até aqui, o crescimento ocorreu sem investidores externos. “Nascemos e crescemos apenas com capital do fundador e com a receita do próprio negócio”, destaca. Para 2026, a meta é atingir R$ 15 milhões, com planos mais ambiciosos no horizonte: chegar a R$ 100 milhões até o fim da década e consolidar a empresa entre os principais operadores logísticos da região.
Hoje, com 10 mil metros quadrados de armazéns totalmente ocupados, a expansão deixou de ser apenas uma oportunidade e se tornou uma necessidade estratégica. O plano inclui a construção de uma nova sede no Distrito Industrial, com terminal de contêineres e novo armazém, além da ampliação da frota e da capacidade operacional, acompanhando o crescimento da própria indústria local.
Atualmente com 60 colaboradores, a expectativa é chegar a 100 até o fim de 2026. “Nossas operações são extremamente enxutas graças ao investimento pesado em tecnologia”, explica. A automação e os sistemas de gestão permitem escalar as operações sem perder eficiência, um fator decisivo em um ambiente onde margens são pressionadas por variáveis externas.
Mesmo em um setor marcado por alto risco, forte dependência ambiental e custos crescentes, a ambição permanece clara. “Nosso objetivo é nos tornarmos o player número um da região em dez anos. É ousado, mas estamos indo atrás”, finaliza.
Rota bioceânica abre oportunidade histórica para a indústria amazônica
Realizado no início de fevereiro, em Porto Velho, o encontro internacional que discutiu a consolidação da rota bioceânica sinaliza uma mudança relevante na posição logística da Amazônia. O projeto busca conectar a região ao Oceano Pacífico, encurtando o caminho até mercados asiáticos e reduzindo custos e tempo no transporte de mercadorias.
Na prática, trata-se de uma tentativa de reposicionar o Norte do Brasil em uma geografia comercial que, historicamente, sempre privilegiou portos voltados ao Atlântico. Ao criar uma alternativa pelo Pacífico, a nova rota pode aproximar a produção amazônica de países como China, Japão e Coreia do Sul, hoje entre os principais destinos das exportações brasileiras.
Os impactos potenciais vão além do agronegócio. Para o Polo Industrial de Manaus (PIM), cuja competitividade depende fortemente da logística, qualquer redução de tempo e custo no transporte internacional pode representar um ganho estratégico relevante, especialmente em um cenário de concorrência global crescente.
Há ainda muita estrada adiante, mas o simples fato de a Amazônia passar a ser considerada parte de um corredor logístico internacional já revela uma mudança de percepção. Será este o começo de uma nova era?
Rodrigues Colchões entra na linha branca e amplia presença industrial no Polo de Manaus
Após décadas atuando como varejista, o Grupo Rodrigues começa a dar os primeiros passos na indústria local, por meio da Rodrigues Colchões, que passa a produzir eletrodomésticos, com foco inicial em aparelhos de ar-condicionado. Com isso, o Grupo demonstra maturidade ao ir além da simples ampliação de portfólio e passar a ocupar um espaço tradicionalmente dominado por grandes multinacionais no Polo Industrial de Manaus (PIM).
Instalada no Distrito Industrial, a companhia iniciou 2026 com planos concretos de diversificação e expansão fabril. A iniciativa foi apresentada à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que visitou a planta local e conheceu os projetos de ingresso da empresa no segmento de linha branca.
No Amazonas, o Grupo Rodrigues emprega cerca de 170 trabalhadores diretamente na operação industrial, enquanto, no conjunto de suas atividades, já supera 1.500 empregos diretos e cerca de mil indiretos no Brasil.
A decisão de produzir ar-condicionado no Polo Industrial não é trivial. Trata-se de um dos segmentos mais estratégicos do parque fabril amazonense, responsável por grande parte do faturamento e dos empregos da indústria local. É muito positivo ver uma empresa de origem amazonense em pé de igualdade com companhias estrangeiras.
Consumo pet premium atrai Stanley e reforça tendência bilionária
Conhecida por suas garrafas térmicas, a Stanley decidiu avançar sobre um território onde valor e afeto caminham juntos: o mercado pet. A empresa lançou no Brasil uma linha de comedouros e bebedouros térmicos em aço inox, com design característico e preços a partir de R$ 319, reforçando sua estratégia de posicionamento premium.
O movimento não é isolado. Ele acompanha a força de um setor que segue em expansão. O mercado pet brasileiro deve ter fechado 2025 com faturamento em torno de R$ 77,2 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação e do Instituto Pet Brasil.
A estratégia adotada pela companhia mostra uma mudança de comportamento. Produtos antes vistos como acessórios passaram a ocupar espaço simbólico no consumo. O comedouro, nesse contexto, deixa de ser apenas um recipiente. Passa a ser mais um sinal de um mercado onde o afeto também se tornou ativo econômico.
RÁPIDAS & BOAS
Estão abertas as inscrições para o Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic) da Escola de Saúde Pública (Esap), da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), edição 2026-2027. A seleção disponibiliza cinco bolsas, com cadastro reserva, destinadas aos alunos de graduação. As inscrições podem ser realizadas até quarta-feira (11/3) e enviadas pelos orientadores para o link (https://tinyurl.com/5f4tbvum).
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O Sebrae/AM, em parceria com o Governo do Estado, por meio da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), promove, na terça-feira (17/3), o ‘Seminário Turismo do Futuro: Experiência, Inovação e Negócios’, voltado à qualificação e ao fortalecimento do trade turístico local. As inscrições são gratuitas, com vagas limitadas, e podem ser realizadas pelo link (https://forms.office.com/r/DazhnzNnsj).

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