Um dos frutos amazônicos mais conhecidos e integrados à cultura local, o açaí será transformado em energia em projeto pioneiro da Knauf Isopor®️, fábrica do Polo Industrial de Manaus (PIM) especializada em soluções baseadas em EPS (poliestireno expandido), popularmente chamado de Isopor®️, marca registrada da empresa. A unidade fabril investiu cerca de R$ 8 milhões em uma caldeira de biomassa para geração de energia térmica a partir da semente de açaí. A fábrica, braço da Knauf Industries no Brasil, será a primeira a utilizar essa tecnologia no Amazonas.

A caldeira de biomassa já está instalada na unidade fabril e deve entrar em operação ainda no 1º trimestre de 2026, em uma iniciativa que congrega inovação, sustentabilidade e impacto socioeconômico, segundo o diretor industrial da Knauf Isopor®️, Antônio Isaías dos Santos. “O aporte da empresa nessa tecnologia vai de encontro com algo que a empresa valoriza muito: a sustentabilidade. Produzir de modo mais eficiente, minorando os impactos e ainda gerando renda a comunidades locais é um desafio dos nossos tempos, algo que a nossa indústria persegue e alcança”, disse Santos.

O gestor destacou que a aquisição é parte do plano estratégico da empresa de investimentos contínuos em soluções tecnológicas e ambientais, conjugado com uma série de práticas de ESG adotada pela fábrica. A unidade fabril utiliza resíduos de produção na fabricação de novos itens, além daqueles recolhidos por uma associação de catadores parceira, bem como disponibiliza um posto de coleta seletiva voluntária, como parte da ação de ‘logística reversa’, uma espécie de fluxo pós-consumo, em que os produtos da marca podem retornar à unidade, sendo reinseridos no processo produtivo, evitando, assim, descarte inadequado.

Some-se a isso, a empresa é certificada nas normas ISO 9001 e ISO 14000 (gestão dos processos produtivos e dos impactos ambientais, respectivamente) e imprimiu mais valor ainda à sua política ambiental ao conquistar a certificação I-REC, sistema internacional que comprova o uso de energia renovável em seu processo fabril, o que atesta o compromisso real com a sustentabilidade.

“Além da necessidade de aprimorar os processos de produção e reduzir possíveis desperdícios, é preocupação permanente da empresa pensar em soluções ambientais. Essa caldeira, que vai utilizar o caroço do açaí, fruto muito consumido na região e que seria descartado, gera um impacto bastante positivo em todo o processo”, destacou o diretor industrial.

Inicialmente, os resíduos de semente de açaí serão adquiridos de comunidades produtoras e coletoras do fruto no Pará e também no Amazonas. O Brasil é o maior produtor de açaí do mundo, com o Estado vizinho liderando inconteste a produção nacional, com 92,5% de participação e superando 1,6 milhão de toneladas em 2024, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O diretor chama atenção também para a necessidade de que as associações locais se organizem na coleta e seleção das sementes, após o beneficiamento do fruto, a fim de que possam participar do processo e obter mais uma fonte de renda.

Matriz Energética

Com a aquisição, a unidade fabril diversifica sua matriz energética, deixando de utilizar a lenha na produção da energia necessária para a fabricação dos produtos. “Essa aquisição vai pôr fim à compra de lascas de madeira, descartada da indústria moveleira, e a toda a logística e a infraestrutura que essa matéria prima exige, como desde o transporte até o armazenamento em grandes galpões na fábrica”, explica o gestor de qualidade e meio ambiente da empresa Dagno Brito.

A caldeira de biomassa foi desenvolvida no Rio Grande do Sul e chegou à capital amazonense ainda no fim de 2025. “O equipamento já está agora em fase de testes. Reservamos uma área concretada e reforçada para evitar trepidação. Após a instalação, estamos em processo de homologação do equipamento, por órgãos ambientais, considerando todos os aspectos normativos da atividade e questões de segurança do empreendimento e, claro, das pessoas que vão trabalhar nesta operação”, destacou o gestor de qualidade.

Como ela funciona e vantagens

A biomassa é uma matéria orgânica de origem vegetal, com alto potencial energético, como o bagaço da cana de açúcar (mais difundido Brasil afora), serragem, casca de arroz, entre outros resíduos. No caso da Knauf, o “combustível” da caldeira será o caroço de açaí. O equipamento é projetado para fazer um processo de combustão controlado, em que os compostos orgânicos se transformam em gases e liberam o calor necessário para aquecer a água, transformando-a em vapor, energia térmica essencial em processos industriais.

Por se tratar de uma fonte de energia renovável, a biomassa (matéria orgânica) é um recurso sustentável e de baixo potencial de impacto ambiental, pois emite muito menos poluentes em comparação a outras fontes de energia, lembra Brito. “Além disso, a caldeira de biomassa contribui efetivamente para a redução de resíduos sólidos na região, pois utiliza o que seria descartado, nesse caso o caroço do açaí”, acrescentou.

Some-se a isso, outras vantagens da caldeira como a emissão neutra de carbono, a segurança energética e o reforço no compromisso da empresa com a questão ambiental, parte fundante da política da empresa. A fábrica já adota algumas práticas nesse sentido, com a ‘logística reversa’, processo que estimula o retorno de produtos já fabricados pela empresa e disponibilizados pelos próprios clientes para serem reciclados e reinseridos no processo de produção, além de premiações ligadas ao segmento. A fábrica foi agraciada na 32ª Edição do Prêmio Qualidade Amazonas, realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), em dezembro de 2025.

(*) Com informações da assessoria