A produtora Café Preto realiza, entre os dias 18 e 20 de março, a 1ª Mostra Café Preto, com três espetáculos que investigam teatro negro no Amazonas. As apresentações começam sempre às 19h30, no Artemax Manaus (Rua Acre, nº 167, Nossa Senhora das Graças), com acesso gratuito.
O evento celebra cinco anos de trajetória da produtora e reúne artistas locais que discutem espiritualidade afro-brasileira, infâncias negras e experiências de corpos dissidentes de gênero, promovendo a reflexão sobre identidades e comunidades LGBTQIAPN+.
Programação artística da mostra
Mojubá (18)
O espetáculo Mojubá (2024), de Correnteza Braba, abre a mostra. Com direção musical de Ana Paula Mady, a obra explora simbologias ligadas às encruzilhadas para discutir Exu e suas qualidades de subversão e ginga.
A criação combina experimentações sonoras, luminosas, corporais e textuais. Em 2025, Mojubá ganhou prêmios no Festival de Teatro da Amazônia de melhor espetáculo, melhor atriz, melhor iluminação, melhor direção e melhor dramaturgia.
Menino (19)
Na quinta-feira, o público assiste a Menino (2025), de Paulo Martins, com direção musical de Enos Lopes e Ana Paula Mady. O espetáculo retrata infâncias negras em Manaus a partir de experiências autobiográficas do ator, abordando memórias pessoais e conflitos sociais e raciais presentes na cidade.
Deusa Profana (20)
O encerramento ocorre com Deusa Profana (2025), de Randy Souza, que explora vivências de corpos dissidentes de gênero, especialmente a identidade travesti. A obra propõe reflexões sobre bem-viver, dignidade e afeto, destacando as tensões entre reconhecimento social e exclusão.
Randy Souza destaca:
“Manaus pulsa arte, e realizar este projeto voltado para a comunidade trans, negra e periférica é uma forma de materializar nossas potências criativas e criar novas memórias coletivas na nossa cidade.”

Trajetória da Café Preto e apoio institucional
A Café Preto Produções Artísticas atua em Manaus desde 2021 com projetos que abordam racialidades, território amazônico e dissidências de gênero. Para Correnteza Braba, a mostra evidencia a trajetória de artistas negros e LGBTQIAPN+:
“Essa mostra evidencia a trajetória coletiva de artistas negros e LGBTQIAPN+ e de suas pesquisas consolidadas, reafirmando a presença de uma prática artística contemporânea na cidade, comprometida com as pautas sociais que atravessam esse território e seus sujeitos. É também uma comemoração do teatro negro presente em Manaus.”
O projeto foi contemplado pelo Edital LGBTQIAPN+ nº 003/2024, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). A realização conta com apoio da Prefeitura de Manaus, via Concultura e Manauscult, e do Governo Federal, através do Ministério da Cultura.
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