Nascido em Eirunepé, às margens do Rio Juruá, Francisco Plínio Valério Tomaz, conhecido como senador Plínio Valério, construiu uma trajetória que une comunicação e política. Ele é jornalista formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), além de escritor e radialista. Desde os 14 anos, já participava da vida política, influenciado pelo pai. Antes de chegar ao Senado, atuou como vereador em Manaus e exerceu mandato como deputado federal suplente.

Em 2018, foi eleito o senador mais votado do Amazonas, com 834 mil votos. Atualmente, Plínio Valério defende pautas regionais, como a BR-319, a Zona Franca de Manaus e a exploração de recursos naturais na Amazônia. No Congresso, atua como autor e relator de projetos, como a Lei de Autonomia do Banco Central e a nova Lei de Informática. Além disso, apresenta propostas voltadas à segurança pública e à área social.

Reconhecido em rankings independentes entre os parlamentares mais produtivos do país, o senador presidiu a CPI das ONGs na Amazônia. Em seu mandato, prioriza o desenvolvimento econômico, a soberania e os interesses das populações amazônidas.

Em entrevista ao Em Tempo, o parlamentar detalhou ações e prioridades para o estado.

EM TEMPO Senador, quais são hoje as suas principais prioridades no mandato para o Amazonas?

Plínio Valério – A defesa do Amazonas. Precisamos fazer respeitar os preceitos fundamentais contidos na Constituição Federal, que diz que todas as regiões têm os mesmos direitos. Nós não temos direito a uma Rodovia. Continuar brigando pelo asfaltamento da BR 319. E claro, continuar levando ajuda a todos os municípios do Estado através de emendas parlamentares.

ET – O senhor é natural de Eirunepé. Como a sua vivência no interior do Amazonas influencia sua atuação no Senado na defesa de melhorias para a população?

PV – O conhecimento que carrego comigo é da nossa realidade e isso me faz desempenhar um mandato voltado a amenizar o sofrimento de nossa gente e ser adversário de organismos que impedem o nosso desenvolvimento, como por exemplo as ONGs ambientalistas, IcmBio, Ibama.

ET –  O senhor tem abordado a questão da infraestrutura no interior. Que tipo de apoio o senhor tem priorizado para fortalecer essa área nos municípios?

PV – Levando máquinas pesadas como retroescavadeira, pás mecânicas, caminhões e tratores. Emendas para ramais, casas de farinha, barcos, lanchas, motores, prédios para câmaras municipais, para conselhos municipais e coisas do gênero.

ET – Como o senhor vê o potencial da produção agrícola no Amazonas e quais políticas são necessárias para ampliar esse setor?

PV – Com grande potencial. Por acreditar, envio patrulhas mecanizadas e incentivos à Embrapa para ajudar com sua expertise a melhorar a produção, orientando produtores e criadores. E também casas de farinha mecanizadas, caminhões e tratores.

ET – O senhor tem defendido a instalação de placas solares em comunidades do interior. Quantas localidades já foram atendidas e qual impacto esse projeto tem gerado na vida dessas pessoas?

PV – O impacto é muito grande. Energia é o sonho de quem mora no beiradão. Já enviei emendas parlamentares a alguns municípios, mas devo lembrar que nós trabalhamos. Nem todo prefeito pede placa solar, mas sempre que posso, dou a sugestão e então envio a emenda.

ET – Sobre saúde pública, quais investimentos o senhor considera mais urgentes para o estado?

PV – R$ 340 milhões de nossas emendas foram dedicadas à saúde, que vão desde medicamentos, leitos hospitalares, até elevadores aos hospitais. Conseguimos ajudar a todos os hospitais de Manaus e interior. Também ajudamos todas maternidades.

ET – Em seus pronunciamentos o senhor fala sobre os entraves técnicos, as pressões de ONGs e barreiras jurídicas que dificultam a conclusão da BR-319. Quais ações o senhor pretende adotar na tentativa de ajudar a destravar esses obstáculos e garantir a conclusão da rodovia? Pretende agir de forma mais enérgica?

PV – Além dos nossos embates com todos aqueles que nos atrapalham, das entrevistas, dos pronunciamentos na Tribuna e da CPI das ONGs que presidi, fui ao STF com uma ação de Descumprimento de Preceitos Fundamentais para que o nosso direito de ter uma rodovia seja respeitado. É um direito nosso e não podemos abrir mão desse direito. É continuar lutando. Não vou ‘arregar’. Que esperem de mim essa cobrança.

ET – No cenário político nacional, como o senhor avalia o espaço do Amazonas nas decisões estratégicas do país?

PV – Isso é muito amplo e nenhum de nós participa diretamente de decisões estratégicas traçadas pelo governo federal. No entanto, podemos colaborar. Exemplo: a Lei Complementar Número 179/2021 que deu ao Banco Central Autonomia Operacional e que permitiu aos seus diretores desvendar e denunciar o Banco Master, é de minha autoria. Sem dúvida, uma Lei que colabora de forma ‘estratégica’ para o bem do país. Também colaboro na estratégia para cuidar das mulheres no rastreamento do câncer de mama quando faço uma Lei obrigando o SUS a fazer de forma gratuita o rastreamento em mulheres a partir de 40 anos e não mais a partir dos 50 anos.

ET – Quais áreas o senhor acredita que ainda precisam de mais atenção e que serão prioridade caso o senhor seja reeleito?

PV – Em se tratando de emendas parlamentares, saúde e infraestrutura. Vou continuar enviando o máximo possível. No outro campo, a luta para pavimentar nossa BR-319 vai continuar. Vigilância permanente contra o que podemos chamar de inimigos do Amazonas, combatendo os hipócritas que querem colocar em nossos ombros e com o nosso sacrifício, o papel de salvar o planeta. Essa gente não quer que possamos explorar nossos recursos naturais, o que eles fizeram e continuam fazendo. É preciso mostrar ao mundo, e tenho procurado fazer isso, que temos o direito de progredir. Vou continuar exigindo respeito e justiça ao nosso amado Amazonas.

ET – O que o eleitor do Amazonas pode esperar do senador Plínio Valério na próxima legislatura?

PV – Muita luta. Acima de tudo gritar pelos nossos direitos. Honrar o mandato e ser transparente em minhas ações e decisões como sempre fui. Que os amazonenses fiquem tranquilos quanto à segurança, firmeza e compromisso com o nosso segundo mandato, que há de vir, com as bênçãos de Deus.