Nascido em Belém (PA), Carlos Eduardo de Sousa Braga chegou em Manaus aos 3 anos de idade e aos 21 começou sua vida política como vereador. Desde então, construiu uma trajetória marcada pela defesa do desenvolvimento do Estado.

Neste ano, Eduardo Braga completa 45 anos de vida pública, tendo representado o povo amazonense como deputado estadual, federal, vice-prefeito e prefeito de Manaus, além de governador do Amazonas, cargo que ocupou por duas vezes. Também foi ministro de Minas e Energia.

Braga está no segundo mandato de Senador da República e tem se destacado como relator de matérias de grande impacto nacional como da PEC da Reforma Tributária e de seus dois projetos de regulamentação, aprovados após 40 anos de debates no Congresso Nacional. Também presidiu a Comissão Mista da nova etapa do Programa de Habitação Minha Casa, Minha Vida e foi o relator da MP da Reforma do Setor Elétrico.

Em entrevista ao EM TEMPO, o líder da bancada no Senado, integrante da Executiva Nacional do MDB e presidente do partido no Amazonas, Eduardo Braga falou do trabalho de defesa, articulação e viabilização de políticas públicas voltadas para o estado.


EM TEMPO – O modelo da Zona Franca de Manaus passa por um período de adaptação às novas regras tributárias. Como o senhor pretende atuar para garantir competitividade e segurança jurídica às empresas instaladas no estado?
Eduardo Braga – De fato, estamos vivendo um período de adaptação ao novo sistema tributário. Mas essa transição foi construída com muita responsabilidade exatamente para proteger a Zona Franca de Manaus, que é uma política de Estado e, mais do que isso, hoje está garantida na Constituição. Esse foi um dos pontos mais importantes da Reforma Tributária: assegurar, de forma definitiva, as vantagens comparativas do nosso modelo até 2073. Durante todo o processo, atuei firmemente para que essa adaptação acontecesse sem prejuízo à competitividade das empresas instaladas no Amazonas. Garantimos a manutenção dos incentivos e criamos mecanismos que preservam a nossa indústria, que é responsável por gerar emprego, renda e arrecadação para o estado. Um ponto essencial neste momento é a segurança jurídica. O investidor precisa ter previsibilidade, confiança e regras claras. Por isso, é fundamental acompanhar de perto a implementação desse novo modelo, garantindo que a transição ocorra de forma estável e sem perdas para o Amazonas. E os resultados já começam a se consolidar. O Polo Industrial de Manaus registrou, em 2025, um faturamento recorde de R$ 227,6 bilhões, com crescimento superior a 10% em relação ao ano anterior. Além disso, o setor mantém mais de 131 mil empregos diretos, demonstrando a força e a relevância do modelo. O meu compromisso é seguir vigilante, defendendo na prática a aplicação dessas garantias, para que a Zona Franca continue forte, competitiva e cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento do Amazonas e região.

ET – Na prática, quais mudanças o trabalhador e o pequeno empresário amazonense já podem sentir com o início da implementação da reforma tributária?
EB – Na prática, a Reforma Tributária começa a trazer mudanças que as pessoas já conseguem perceber no dia a dia, principalmente para quem mais precisa. Para quem tem um pequeno negócio ou trabalha por conta própria, o sistema fica mais simples. Hoje, o empresário paga imposto várias vezes ao longo da cadeia — paga quando compra, paga quando produz e paga quando vende. Esse modelo encarece o produto e dificulta a vida de quem empreende. Com a reforma, esse cenário muda. O imposto deixa de se acumular e passa a ser cobrado de forma mais clara, reduzindo custos, diminuindo a burocracia e dando mais previsibilidade para o pequeno empresário trabalhar e crescer. Já para o trabalhador, especialmente o de renda mais baixa, o impacto é ainda mais direto. A reforma criou a cesta básica com imposto zero e também o cashback, que é a devolução de parte dos impostos pagos em itens essenciais, como gás de cozinha, energia elétrica, água e alimentos. Ou seja, quem ganha menos vai pagar menos imposto na prática. E os efeitos já começam a aparecer. Em 2025, o preço da cesta básica caiu em todas as capitais do país, com reduções que chegaram perto de 10% em algumas cidades. Aqui em Manaus, por exemplo, o custo também já apresentou queda recente — no início de 2026 houve redução de quase 3% em um único mês, com alimentos importantes ficando mais acessíveis. Produtos como arroz, tomate, farinha e óleo ajudaram a puxar essa redução, aliviando diretamente o orçamento das famílias. É uma mudança que ainda está em fase de transição, mas que já começa a aliviar o custo de vida, facilita a vida de quem empreende e torna o sistema mais justo, principalmente para as famílias que mais sentem o peso dos impostos no dia a dia.

ET – Há críticas de que o Amazonas ainda depende excessivamente de decisões do governo federal. Como ampliar a autonomia econômica do estado e atrair novos investimentos neste novo cenário tributário?
EB – O Amazonas precisa aproveitar este novo cenário tributário para dar um passo além da defesa do que já conquistou e construir um projeto de futuro. Nós garantimos, na Constituição, as vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus, e isso nos dá uma base sólida. Agora, o desafio é avançar. Eu defendo que o estado deixe de ser apenas dependente de decisões externas e passe a ser protagonista de um novo ciclo econômico. Isso significa criar novos andares sobre o modelo atual, atraindo investimentos em áreas estratégicas como energia, tecnologia, indústria de transformação, petroquímica e data centers. O mundo vive uma nova disputa econômica baseada em energia e informação. E o Amazonas tem condições reais de entrar nesse jogo, desde que tenha segurança jurídica, previsibilidade e infraestrutura energética capaz de sustentar grandes projetos. O meu papel, em Brasília, é exatamente esse: preparar o Amazonas para o futuro, garantindo competitividade, atraindo investimentos e posicionando o estado como uma peça estratégica na economia nacional e global.

ET – O interior do Amazonas enfrenta desafios históricos em infraestrutura e saúde. Quais medidas o senhor considera prioritárias para reduzir essas desigualdades regionais?
EB – Não existe desenvolvimento sem acesso. E essa é, talvez, a maior desigualdade que nós ainda enfrentamos no Amazonas. Quando não há estrada, quando o transporte pelos rios fica comprometido por falta de estrutura, quando falta energia ou quando o atendimento de saúde não chega, quem sofre é o cidadão. Por isso, as prioridades são claras: fortalecer a atenção básica de saúde, ampliar a presença do Estado no interior e garantir melhores condições de deslocamento e atendimento à população. Na saúde, avançamos com a implantação de 45 UBSs fluviais, que levam atendimento direto às comunidades ribeirinhas, além da construção, reforma e equipagem de unidades físicas em diversos municípios. São milhões de reais em emendas destinadas para ampliar o acesso à saúde no interior, garantindo atendimento mais próximo, contínuo e digno para a população. Ao mesmo tempo, é fundamental avançar na infraestrutura. A BR-319, por exemplo, não é apenas uma obra de engenharia. Ela representa, em muitos momentos, a diferença entre a vida e a morte. Nós vimos isso na pandemia. Assim como as pontes, as estradas vicinais e a melhoria da navegação. E dentro dessa realidade, os portos têm um papel central. Já avançamos com dezenas de intervenções entre construção, recuperação e implantação de estruturas no interior, garantindo o funcionamento da logística mesmo nos períodos mais críticos. É por meio deles que chegam alimentos, medicamentos, combustível e serviços essenciais. Além disso, estamos avançando com um projeto estruturante para a capital, que impacta diretamente o interior: a modernização do porto da Manaus Moderna. Já asseguramos recursos iniciais da ordem de R$ 120 milhões para viabilizar o projeto, dentro de um investimento mais amplo que ultrapassa R$ 900 milhões, que vai transformar a área com nova estrutura para passageiros, cargas e reorganização urbana.
Reduzir desigualdades no Amazonas passa, acima de tudo, por garantir que o cidadão do interior tenha acesso ao básico: saúde, mobilidade e presença do Estado.

Foto: Divulgação

ET – ⁠O Amazonas tem potencial em áreas como bioeconomia, turismo e produção regional. Que políticas ou incentivos o senhor defende para transformar essas vocações em geração de renda e oportunidades no interior do estado?
EB – O Amazonas tem um potencial extraordinário, mas é preciso transformar esse potencial em oportunidades reais para a população. E isso passa, acima de tudo, por planejamento e por políticas públicas estruturantes. Eu defendo como prioridade a implementação de um zoneamento ecológico-econômico que permita identificar com clareza as vocações de cada região do estado. Não é possível aplicar o mesmo modelo para todo o Amazonas, porque cada município tem características próprias. Há regiões com forte vocação para bioeconomia, outras para produção regional, outras para turismo e até para exploração mineral responsável. O zoneamento traz organização, segurança e direcionamento para o investimento. A bioeconomia precisa avançar para um novo estágio, com pesquisa, inovação e agregação de valor. Não podemos continuar apenas exportando matéria-prima. É preciso transformar os ativos da floresta em produtos de maior valor, como fármacos, cosméticos e insumos industriais, gerando renda aqui dentro e fortalecendo a economia local. Outro ponto fundamental é criar um ambiente econômico favorável. Isso envolve incentivos adequados, apoio técnico, acesso a crédito e organização das cadeias produtivas, para que o produtor e o empreendedor do interior consigam crescer com estabilidade e previsibilidade. Também defendo o avanço na regulamentação do mercado de crédito de carbono e dos serviços ambientais. A floresta em pé precisa gerar valor econômico real. Quando isso acontece, nós conseguimos alinhar preservação com desenvolvimento, criando uma nova fonte de renda para o estado e para as comunidades. Além disso, tudo isso precisa estar conectado à ciência, tecnologia e formação de mão de obra qualificada. É por isso que estamos trabalhando para ampliar a presença de instituições de ensino e pesquisa na Amazônia, como a chegada do Instituto Militar de Engenharia, que representa um avanço importante na formação de profissionais de alto nível e no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas para a realidade da região. O caminho existe. O que nós precisamos é integrar planejamento, investimento e inovação para que o interior do Amazonas deixe de ser apenas um território de potencial e passe a ser, de fato, um território de oportunidades.

ET – Em um cenário político cada vez mais polarizado, como o senhor pretende construir diálogo e articulações em Brasília para garantir recursos e projetos prioritários para o Amazonas?
EB – A política exige diálogo. E quem quer resultado não pode se fechar. Ao longo da minha trajetória, sempre mantive a capacidade de conversar com diferentes setores, construir pontes e viabilizar soluções para o Amazonas. Em Brasília, o que funciona é articulação. É saber dialogar com o governo, com a oposição, com o setor produtivo e com as instituições. Foi assim que conseguimos avançar em pautas importantes, como a defesa da Zona Franca de Manaus, a reforma tributária e projetos estruturantes para o estado. Eu não trabalho com confronto vazio. Trabalho com responsabilidade, buscando convergência quando o assunto é o interesse do Amazonas. Porque, acima de qualquer disputa política, está a necessidade de garantir recursos, investimentos e oportunidades para a nossa população. O meu compromisso é seguir atuando com equilíbrio, firmeza e capacidade de articulação, para que o Amazonas continue tendo voz, espaço e resultado nas decisões nacionais.

ET – O senhor é a figura de comando do Movimento Democrático Brasileiro no Amazonas. Como está o processo de reorganização e fortalecimento do partido visando as eleições de 2026?
EB – O MDB, que neste ano completa 60 anos, está passando por um processo consistente de reorganização e fortalecimento no Amazonas. Estamos trabalhando de forma estruturada, respeitando os prazos eleitorais e aproveitando esse momento de janela partidária para ampliar a presença do partido em todo o estado. Nosso foco tem sido montar chapas competitivas, tanto para deputado estadual quanto para deputado federal, fortalecendo as bases nos municípios e garantindo representatividade. Estamos dialogando com lideranças, atraindo novos quadros e consolidando uma nominata que tenha densidade eleitoral e compromisso com o Amazonas. Mais do que quantidade, estamos buscando qualidade. Queremos um partido forte, preparado e com capacidade real de disputar, crescer e contribuir com o desenvolvimento do estado.

ET – O MDB deve priorizar alianças locais ou trabalhar por uma candidatura própria ao Governo do Amazonas? Qual será o seu papel na construção dessa estratégia política?

EB – O MDB terá protagonismo nas eleições de 2026. Estamos estruturando uma candidatura majoritária ao Senado e, ao mesmo tempo, construindo alianças com responsabilidade, pensando no melhor para o Amazonas. Esse é um processo que exige equilíbrio. As alianças estão sendo construídas com base em convergência de propostas, não apenas em interesses eleitorais. O objetivo é fortalecer o estado e construir um projeto que dialogue com as necessidades reais da população. O meu papel é ajudar a conduzir esse processo com experiência e visão estratégica, buscando unir forças, organizar o campo político e garantir que o MDB esteja bem posicionado tanto nas eleições proporcionais quanto na composição majoritária. Mais do que uma disputa eleitoral, o que está em jogo é o futuro do nosso estado. E é com esse compromisso que estamos trabalhando para vermos o Amazonas forte de novo.

ET – O senhor aparece bem posicionado em pesquisas sobre a disputa ao Senado em 2026. Caso confirme candidatura, qual será o principal eixo de campanha para buscar a renovação do mandato junto ao eleitor amazonense?
EB – Já sou pré-candidato, e meu posicionamento é continuar mantendo o Amazonas forte no Senado. Ao longo da minha vida pública, construí uma trajetória marcada por entregas importantes que transformaram a vida dos amazonenses. São obras, investimentos e recursos que chegam na ponta, melhorando o dia a dia das pessoas. E é isso que eu quero seguir fazendo: cuidar do Amazonas com responsabilidade e compromisso. Eu tenho uma posição: não sou senador de direita nem de esquerda. Eu sou senador do Amazonas. E isso significa que, independente de quem esteja no governo, o meu compromisso é defender os interesses do nosso estado. Porque, no final das contas, o que importa para as pessoas é a vida real: a rua do bairro, a escola dos filhos, atendimento de saúde, a oportunidade de trabalho. É isso que faz diferença todos os dias. Além disso, tenho uma visão de longo prazo. Não trabalho apenas para resolver o problema de hoje, mas para preparar o estado para o futuro, fortalecendo a economia e criando novas oportunidades. O que eu peço ao eleitor é que olhe para a história, para o que já foi feito e para a capacidade de continuar entregando. Porque mais do que promessas, o Amazonas precisa de quem tenha experiência, responsabilidade, resultado e visão de futuro.

ET – Pensando no futuro político, a reeleição ao Senado é um projeto definitivo ou o senhor ainda cogita disputar cargos no Executivo nos próximos anos?
EB – Hoje, o meu foco está concentrado no Senado e na continuidade de um trabalho que vem sendo construído com responsabilidade e visão de longo prazo para o Amazonas. Entendo que, neste momento, posso contribuir mais permanecendo onde estou, atuando nas pautas estratégicas, defendendo os interesses do estado e ajudando a consolidar projetos que são fundamentais para o nosso desenvolvimento. A política exige leitura de cenário e compromisso com aquilo que é mais necessário para a população em cada momento. E, hoje, o que eu vejo é a importância de dar sequência a esse trabalho, garantindo estabilidade, avanço e resultados para o Amazonas. Naturalmente, as decisões políticas passam por um processo coletivo e pelo diálogo com a sociedade. Mas, neste momento, o meu caminho está definido: seguir trabalhando pelo Amazonas no Senado Federal. Sou um apaixonado pelo meu estado e a ele dedico os meus dias com muito trabalho e estudo, sempre em busca de conquistas que o fortaleçam e o projetem como referência. Quero um Amazonas forte, com oportunidades, desenvolvimento e qualidade de vida para as próximas gerações, para os meus filhos, meus netos e para todas as famílias amazonenses.