Abertura da temporada reuniu mais de 500 canoas no Lago dos Reis e manteve atividade ao longo da semana até alcance da meta definida.
A Pesca do Mapará 2026 , no município de Careiro da Várzea (AM), mobilizou mais de mil pescadores e ultrapassou o número de 500 canoas participantes, consolidando mais uma edição da atividade como uma das principais cadeias produtivas da região. A abertura oficial ocorreu na manhã do dia 16 de março, no Lago do Rei, após o período de defeso da espécie, fase em que a pesca é proibida para garantir a reprodução e a manutenção dos estoques pesqueiros.
Durante esse período, pescadores artesanais contam com o pagamento do seguro-defeso, benefício que garante renda temporária a trabalhadores que dependem exclusivamente da atividade pesqueira, contribuindo para o sustento das famílias e para a preservação dos recursos naturais.
Logo nas primeiras horas do dia, por volta das 6h, o início da pesca foi marcado pela tradicional largada com fogos e pela saída simultânea das embarcações, que se distribuíram ao longo do lago. A atividade seguiu durante toda a semana, conforme a dinâmica da pesca, até o alcance da meta estabelecida entre pescadores e compradores.
A edição deste ano contou com a participação de representantes de sete comunidades do entorno do lago, além de mais de 40 frigoríficos cadastrados para a comercialização do pescado, com capacidade logística estimada em mais de 300 toneladas. A expectativa do setor é superar os resultados da edição anterior, reforçando a importância econômica da atividade para o município.
Organização e governança da pesca
A pesca ordenada do mapará é resultado de um processo estruturado que envolve planejamento, capacitação e articulação entre instituições públicas, pescadores e o setor produtivo. Antes da abertura da temporada, foram realizadas oficinas de ordenamento pesqueiro, cadastro de embarcações e pescadores, além de encontro de negócios para definição de preço e alinhamento comercial.
Durante a abertura da pesca, representantes de órgãos estaduais e municipais destacaram o avanço da organização ao longo dos anos e o fortalecimento da governança da atividade.
O secretário de Estado de Pesca e Aquicultura, Alessandro Cohen, ressaltou o impacto social e econômico da pesca para as comunidades. “Hoje começa um processo importante para o pescador, que volta a exercer sua atividade e garantir o sustento da sua família. Com o apoio técnico e institucional, a pesca se torna mais organizada, com melhores condições de comercialização e geração de renda”, afirmou.
Já o gerente da Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (SEPA), João Bosco Ferreira, destacou o caráter estratégico da atividade para o estado e o avanço do modelo de gestão ao longo dos anos. Segundo ele, o mapará é um produto que abastece mercados fora do Amazonas e exige cada vez mais organização, qualidade e valorização. “É uma atividade que vem sendo estruturada com base em governança, participação das comunidades e apoio institucional. O desafio agora é agregar valor ao produto e ampliar sua visibilidade em outros mercados”, pontuou.
Sebrae e o fortalecimento da cadeia produtiva
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM) atua diretamente no fortalecimento da cadeia produtiva do mapará, por meio do Projeto de Recursos Pesqueiros, que promove ações de organização, capacitação e apoio à comercialização.
Segundo o gestor do projeto, Leocy Cutrim, a pesca representa um importante vetor de desenvolvimento econômico local. “Essa é uma atividade que movimenta a economia do município em um curto período de tempo, gerando renda não apenas para o pescador, mas também para diversos setores, como comércio e serviços. O ordenamento garante que essa produção aconteça com organização, qualidade e melhores condições de negociação”, explicou.
Cutrim também destacou que o modelo desenvolvido no município vem se consolidando como referência. “Estamos falando de uma pesca estruturada, com pescadores cadastrados, regras definidas e integração entre instituições. A proposta é fortalecer esse modelo, agregar valor ao produto e ampliar sua visibilidade em outros mercados. Inclusive, já está articulada uma apresentação na Seafood Show Latin America, em outubro, em São Paulo, o principal encontro de negócios da cadeia do pescado na América Latina”, afirmou.
Fiscalização, sustentabilidade e apoio institucional
A atividade contou com a atuação integrada de instituições como Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), Polícia Militar, Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (SEPA) e órgãos da Prefeitura de Careiro da Várzea.
Equipes técnicas acompanharam a pesca para garantir o cumprimento das regras estabelecidas, além de orientar os pescadores sobre práticas sustentáveis e preservação dos estoques pesqueiros. O modelo ordenado também contribui para assegurar que a captura ocorra dentro dos períodos permitidos e com técnicas adequadas, mesmo sem a definição de tamanho mínimo específico em legislação para a espécie.
A estrutura da operação também incluiu suporte à saúde dos participantes, com equipes da Secretaria Municipal de Saúde atuando durante o período da pesca.
Impacto econômico e continuidade
Considerada uma das principais atividades econômicas do município, a pesca do mapará movimenta a economia local ao gerar renda direta para pescadores e indireta para diversos setores, como transporte, comércio e abastecimento.
Com o avanço da organização, aumento da participação e fortalecimento das parcerias institucionais, a edição de 2026 reforça a consolidação da pesca ordenada como modelo de desenvolvimento sustentável no interior do Amazonas.
A expectativa é que os resultados desta edição confirmem o crescimento da atividade e ampliem ainda mais o reconhecimento do mapará como um produto estratégico para a economia regional.
