O Amazonas registrou, em 2025, avanço no número de pessoas com algum tipo de rendimento e aumento da participação de programas sociais na renda das famílias. Dados da PNAD Contínua – Todos os Rendimentos, divulgada nesta quinta-feira (8) pelo IBGE, mostram que as transferências públicas passaram a representar 8,5% da renda domiciliar per capita no estado, mais que o dobro da participação registrada em 2012.

Ao mesmo tempo, o levantamento aponta desafios estruturais na economia amazonense. O rendimento médio mensal real chegou a R$ 2.527 em 2025, mas ainda permanece abaixo do registrado em 2012, quando o valor era de R$ 2.687.

No ranking nacional de rendimento domiciliar per capita, o Amazonas ocupa a 23ª posição, com média de R$ 1.450, abaixo da média brasileira de R$ 2.264.

Amazonas amplia número de pessoas com rendimento

Segundo o levantamento, o Amazonas passou de 1,696 milhão de pessoas com algum rendimento em 2012 para 2,384 milhões em 2025.

Com isso, a parcela da população com renda subiu de 48% para 57,4% no período.

O rendimento habitual do trabalho também apresentou crescimento. Em 2012, 1,279 milhão de pessoas declaravam renda habitual do trabalho, o equivalente a 36,2% da população. Em 2025, o número chegou a 1,719 milhão, representando 41,4%.

Além disso, o rendimento efetivamente recebido passou de 1,253 milhão de pessoas em 2012 para 1,664 milhão em 2025.

Os dados indicam aumento tanto no número de pessoas ocupadas quanto na presença do trabalho como principal fonte regular de renda.

Programas sociais dobram participação na renda

Entre os destaques da pesquisa está o crescimento dos programas sociais do governo.

Em 2012, 305 mil pessoas recebiam benefícios sociais no Amazonas, o equivalente a 8,6% da população. Em 2025, esse contingente chegou a 570 mil pessoas, alcançando 13,7%.

Na composição do rendimento médio domiciliar per capita, os programas sociais passaram de 3,2% em 2012 para 8,5% em 2025.

O avanço representa ganho de 5,3 pontos percentuais no período e mostra aumento da dependência de transferências públicas na composição da renda das famílias.

Trabalho segue como principal fonte de renda

Apesar do avanço dos programas sociais, o trabalho continua sendo a principal fonte de renda no Amazonas.

A parcela do rendimento oriunda de trabalhos habituais representava 79,6% da renda domiciliar per capita em 2012. Em 2025, o percentual ficou em 78%.

Enquanto isso, outras fontes de renda passaram de 20,4% para 22% no mesmo período.

A participação de aposentadorias e pensões permaneceu praticamente estável, variando de 10,9% em 2012 para 11% em 2025.

Rendimento médio ainda não recupera nível de 2012

A série histórica mostra que o Amazonas registrou queda no rendimento médio mensal real entre 2012 e 2019, seguida de recuperação parcial nos anos seguintes.

O valor caiu de R$ 2.687 em 2012 para R$ 2.253 em 2019. Em 2025, o rendimento médio chegou a R$ 2.527, mas ainda abaixo do patamar registrado no início da série.

No mesmo período, a média da Região Norte passou de R$ 2.349 para R$ 2.572. Com isso, pela primeira vez, o Amazonas ficou ligeiramente abaixo da média regional.

Já o Brasil apresentou crescimento contínuo, passando de R$ 2.984 em 2012 para R$ 3.367 em 2025.

Amazonas está entre os menores rendimentos do país

O levantamento do IBGE também mostra diferenças regionais no rendimento domiciliar per capita.

O Distrito Federal lidera o ranking nacional, com média de R$ 4.401, seguido por São Paulo (R$ 2.862), Rio Grande do Sul (R$ 2.772) e Santa Catarina (R$ 2.752).

Na outra ponta estão Maranhão, com R$ 1.231, Acre (R$ 1.372), Ceará (R$ 1.379) e Alagoas (R$ 1.401).

O Amazonas aparece na 23ª posição nacional, com rendimento médio domiciliar per capita de R$ 1.450.

(*) Com informações da assessoria

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