A União Europeia retirou nesta terça-feira (12) o Brasil da lista de países que seguem as regras do bloco contra o uso excessivo de antibióticos na pecuária.
Com a decisão, o Brasil não poderá exportar carne bovina para os países europeus a partir de setembro. Isso ocorre porque o país não cumpriu as normas sanitárias exigidas pela UE. Além disso, a relação aprovada pelos integrantes do bloco inclui Argentina, Chile, Colômbia, México e Uruguai.
Segundo a União Europeia, países excluídos, como o Brasil, não apresentaram garantias suficientes sobre a não utilização de produtos antimicrobianos na produção pecuária.
Ainda assim, as autoridades europeias poderão atualizar a lista nos próximos meses. Para isso, o governo brasileiro precisará responder às exigências feitas por Bruxelas.
Europa é mercado estratégico para carne brasileira
Os países da União Europeia ocuparam o terceiro lugar entre os principais destinos da carne brasileira em 2025. Os dados são da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Estados Unidos e China lideraram o ranking.
Embora responda por apenas 3,6% das negociações, o bloco europeu compra cortes nobres e produtos de maior valor agregado. Por isso, o mercado europeu tem peso estratégico para o setor.
Atualmente, o Brasil exporta para a Europa carne bovina, carne de frango, peixes, embutidos, cavalos vivos e mel. No entanto, a nova restrição valerá para todos esses produtos a partir de setembro.
Decisão aumenta pressão sobre acordo Mercosul-UE
A exclusão do Brasil da nova lista reforça o movimento da União Europeia para endurecer a fiscalização sanitária. Além disso, a medida ocorre após críticas de produtores rurais e do governo francês ao acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.
O tratado envolve Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. O acordo entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio. No entanto, a Justiça europeia ainda analisará a legalidade do texto.
“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje (terça-feira) demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.
UE endurece regras sobre antibióticos na pecuária
As normas europeias proíbem o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento animal ou aumentar a produção. Além disso, produtores não podem aplicar medicamentos reservados ao tratamento de infecções humanas.
Segundo a União Europeia, as medidas fazem parte da estratégia para combater a resistência microbiana aos medicamentos. O bloco também quer reduzir o uso desnecessário de antibióticos.
No fim de abril, o governo brasileiro proibiu o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária. A medida acompanha uma tendência global impulsionada pelo avanço da resistência bacteriana, considerada uma das maiores ameaças à saúde pública mundial.
Por outro lado, a restrição não afeta o uso terapêutico dos medicamentos.
Antimicrobianos proibidos no Brasil
A medida adotada pelo Brasil atingiu cinco antimicrobianos usados em sistemas intensivos de produção animal. Entre eles estão avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno dissalicilato e virginiamicina.
A virginiamicina, por exemplo, está entre os aditivos mais utilizados no país, especialmente em granjas e criações industriais.
Apesar de o Brasil controlar a venda de antibióticos para humanos há mais de dez anos, especialistas mantêm o alerta. Atualmente, farmácias exigem retenção de receita médica para liberar esses medicamentos. Mesmo assim, pesquisadores afirmam que a maior parte dos antibióticos ainda circula fora das farmácias.
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