O apoio político, tanto de lideranças locais quanto nacionais, somado à força do eleitorado do interior do estado, deve ser determinante para o resultado das eleições para o Governo do Amazonas. A avaliação é de cientistas políticos, que apontam a necessidade de alianças estratégicas e o peso das máquinas públicas como fatores centrais na disputa.
De acordo com o cientista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Antonio, nenhum candidato ou força partidária possui capital eleitoral suficiente para vencer isoladamente. Por isso, a construção de alianças se torna essencial.
“Na disputa majoritária é preciso fazer alianças porque nenhum candidato ou força política partidária tem, sozinho, votos suficientes. Daí a necessidade de alianças programáticas e estratégicas para ampliar essa possibilidade”, explica.
Centro-direita divide espaço eleitoral
Nesse cenário, Omar Aziz (PSD), que conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se movimenta em direção ao campo da esquerda. Assim, busca ampliar sua base com o eleitorado alinhado a esse segmento.
Enquanto isso, no campo da centro-direita, há fragmentação entre David Almeida (Avante), Roberto Cidade (União Brasil) e Maria do Carmo Seffair (PL). Os três disputam uma base semelhante, principalmente em Manaus.
Segundo Luiz Antonio, embora esse grupo tenha presença relevante na capital, enfrenta resistência no interior.
“O desafio maior está na centro-direita, que tem três nomes disputando o mesmo espaço político. Há uma grande representação em Manaus, mas também resistência no interior por conta do histórico político dessas forças”, analisa.
Voto do interior ganha protagonismo
Além disso, o eleitorado do interior deve ter papel decisivo na eleição. Segundo o cientista político, a experiência dos candidatos nesses municípios influencia diretamente na captação de votos.
Nesse sentido, Luiz Antonio avalia que Omar Aziz e David Almeida apresentam vantagem por já terem atuação consolidada no interior.
Ele também destaca que a presença de prefeitos em eventos políticos funciona como um indicativo de força eleitoral. Em um evento recente, por exemplo, Omar Aziz reuniu cerca de 50 prefeitos.
“Acredito que hoje o voto do interior é que vai decidir a eleição. Isso vai depender muito do que essas forças políticas têm para propor ao interior. Nomes como Omar e David poderão conversar melhor com o interior”, explicou.
Cenário nacional influencia alianças
Por outro lado, o cenário local também sofre influência da política nacional. A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro deve impactar a formação de palanques estaduais.
“É uma costura fina que as forças políticas nacionais precisam operar para garantir apoio nos estados, envolvendo máquinas públicas e grupos sociais fortes”, comentou Luiz Antonio.
Campanha deve polarizar
A tendência é de polarização ao longo da campanha. Segundo o professor, em cerca de 30 a 40 dias, o cenário deve se concentrar em dois nomes.
“O eleitor tende a adotar uma posição plebiscitária, de aceitação ou rejeição. Mais do que apoiar, ele decide se aceita ou refuta determinado candidato”, afirmou.
“A projeção é de que a disputa caminhe para uma polarização entre Omar Aziz e um nome da centro-direita, como Roberto Cidade ou David Almeida”, completou.
Máquina pública influencia, mas não decide
Para o cientista político Helso Ribeiro, o apoio institucional tem peso, mas não garante vitória.
“O apoio da máquina não é determinante porque, se fosse, o mesmo grupo estaria sempre no poder. Qualquer candidato gostaria desse apoio. Ele pesa muito, ainda que existam ondas políticas que nem sempre acompanham essas estruturas”, avaliou.
Já o cientista político André César destaca fatores distintos entre os pré-candidatos.
“Omar Aziz, que tem o apoio de Lula, teve destaque em CPIs e é experiente. Esse apoio, a depender do cenário nacional, pode ser fundamental. Já Roberto Cidade conta com a máquina estadual, o que também é relevante”, disse.
Ele pondera, no entanto, que o cenário ainda pode mudar. “Campanhas eleitorais são dinâmicas e podem trazer elementos novos que mudem completamente o rumo da disputa”, conclui.
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