A crise na campanha do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após o vazamento de um áudio em que pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ampliou a tensão entre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF).
O principal motivo da crise é a suspeita, entre aliados dos filhos de Bolsonaro, de que o vazamento tenha partido de dentro do próprio bolsonarismo.
Segundo interlocutores, setores ligados ao grupo político de Michelle Bolsonaro estariam sendo apontados como possíveis responsáveis pela divulgação do material, diante da defesa de uma eventual candidatura dela à Presidência da República no lugar de Flávio Bolsonaro.
Aliados de Michelle negam envolvimento
Aliados da ex-primeira-dama rejeitam a hipótese e afirmam que as investigações relacionadas ao Caso Master são conduzidas pela Polícia Federal (PF), subordinada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além disso, lembram que o PT teria sinalizado, em congresso realizado recentemente, prioridade política na associação do Caso Master ao bolsonarismo.
Pessoas próximas a Michelle também afirmam que ela ainda não decidiu se disputará uma vaga ao Senado e que sua rotina está concentrada nos cuidados com Jair Bolsonaro.
Segundo aliados, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, limitou o acesso ao ex-presidente, aumentando as responsabilidades domésticas da ex-primeira-dama.
Michelle mantém atuação no PL Mulher
Interlocutores afirmam que, caso Michelle tivesse interesse em disputar algum cargo, já teria manifestado essa intenção publicamente.
Ainda segundo aliados, ela sempre declarou que desejava atuar como primeira-dama, respeitando as decisões políticas de Jair Bolsonaro.
Neste momento, Michelle segue apenas na presidência do PL Mulher.
Críticas internas cresceram após posse no TSE
Mesmo assim, aliados percebem aumento das críticas internas contra Michelle Bolsonaro desde a posse do ministro Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na ocasião, Michelle cumprimentou Alexandre de Moraes, gesto que gerou repercussão entre integrantes do bolsonarismo.
Além disso, o vazamento do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro intensificou a distância entre Michelle e os filhos do ex-presidente.
Entorno de Flávio também é alvo de críticas
Segundo interlocutores, Jair Bolsonaro sempre demonstrou resistência à possibilidade de Michelle disputar cargos eletivos.
“Também costumava alertá-la de que ‘a política é cheia de lobos’”, relatou um aliado da ex-primeira-dama.
Apesar da crise, aliados afirmam que Flávio Bolsonaro seguirá como candidato à Presidência mesmo após a repercussão dos áudios.
No entanto, integrantes próximos a Michelle avaliam que o principal problema está menos na pré-candidatura de Flávio e mais no grupo político que o cerca.
Divergências regionais seguem sem solução
As acusações envolvendo Michelle tendem a retardar uma participação mais ativa dela na campanha presidencial.
Isso porque ainda existem divergências políticas entre a ex-primeira-dama e os filhos de Bolsonaro, especialmente após disputas internas no Ceará e em Santa Catarina.
Michelle defendia apoio às candidaturas de Priscila Costa e Carol de Toni, respectivamente. No entanto, o PL optou por outros nomes.
Segundo aliados, esses episódios ainda não foram totalmente superados dentro do grupo político.
(*) Com informações da CNN Brasil
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