O mercado de procedimentos estéticos segue em expansão no Brasil, impulsionado pela busca crescente por autoestima e bem-estar. Considerado um dos maiores do mundo, o setor movimenta bilhões de reais todos os anos e acompanha mudanças no comportamento dos consumidores, além do avanço das tecnologias e da ampliação do acesso aos tratamentos.

Segundo a empresa global de pesquisa Euromonitor International, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de mercados de beleza e cuidados pessoais, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão. O país também lidera o segmento na América Latina. O levantamento aponta que, em 2018, o setor movimentava cerca de R$ 45 bilhões, com previsão de crescimento contínuo.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) estima que mais de 1,5 milhão de procedimentos estéticos sejam realizados anualmente no país, consolidando o segmento como um dos mais relevantes da economia ligada à saúde, beleza e bem-estar.

Procedimentos minimamente invasivos lideram procura

Além das cirurgias plásticas, os procedimentos minimamente invasivos lideram a procura. O botox, por exemplo, soma cerca de 400 mil aplicações por ano no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Estética. Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico ampliou a oferta de tratamentos mais rápidos e menos invasivos, atraindo públicos cada vez mais diversos.

A cirurgiã-dentista Paloma Ladislau, que atua no mercado da estética facial, afirma que a procura pelos procedimentos cresceu principalmente devido ao acesso às redes sociais.

“O crescimento do mercado da estética facial se dá muito pela acessibilidade das pessoas à internet. Hoje elas conhecem os procedimentos, entendem como funcionam e isso desperta o desejo de cuidar mais da aparência e do bem-estar”, afirma.

Segundo a cirurgiã, os influenciadores digitais também impulsionam a procura por tratamentos estéticos ao mostrar resultados nas redes sociais. Porém, a profissional alerta que nenhum procedimento gera resultados imediatos e que os cuidados prévios com a pele são fundamentais.

“O paciente está muito imediatista. Muitas vezes passa anos sem cuidar da pele e quer um resultado transformador em apenas uma sessão. Não é só fazer um procedimento uma vez, é um conjunto de fatores para chegar àquele resultado esperado”, observa.

Homens e jovens ampliam público da estética facial

Paloma destaca que o perfil dos clientes mudou nos últimos anos. Antes, a maior procura vinha de mulheres mais velhas. Hoje, jovens e homens também buscam procedimentos estéticos.

“Os homens procuram muito aplicação de toxina botulínica, o famoso botox, e preenchimento labial, sempre buscando algo mais discreto e natural. Já as mulheres ainda lideram a procura, mas percebemos muitas pacientes jovens, a partir de 18 anos, buscando procedimentos”, comenta.

Entre os tratamentos mais procurados estão o ultrassom microfocado, os bioestimuladores de colágeno, a lipo de papada e técnicas de microagulhamento, como o procedimento conhecido como “esperma de salmão”.

“O ultrassom microfocado melhora a firmeza da pele e estimula a produção de colágeno. É um aparelho que dispara calor na pele e, com algumas sessões, conseguimos estimular o colágeno”, explica. “Já o bioestimulador é um produto aplicado na derme que faz o corpo voltar a produzir colágeno ao longo dos meses. Os resultados são graduais e naturais”, afirma Paloma.

A profissional ressalta que, apesar de minimamente invasivos, todos os procedimentos exigem cuidados e devem ser realizados por profissionais capacitados.

“É importante buscar clínicas confiáveis e saber exatamente qual produto está sendo utilizado. Muitas vezes o paciente busca apenas preço e esquece que a qualidade faz toda diferença no resultado e na segurança”, alerta.

Os valores dos tratamentos estéticos faciais no consultório da Dra. Paloma Ladislau variam de R$ 600 a mais de R$ 2 mil.

Tratamentos corporais ganham espaço no pós-parto

No segmento corporal, a fisioterapeuta Adriana Ferreira, da clínica TodaBella, afirma que os tratamentos mais procurados atualmente envolvem harmonização corporal e reabilitação pós-parto.

“Temos um programa de harmonização corporal de quatro meses em que trabalhamos primeiro a desinflamação do organismo. Depois trabalhamos gordura, musculatura e pele ao mesmo tempo, para que haja perda de gordura com retração da pele”, explica.

Ela também destaca a alta procura por tratamentos de diástase abdominal, problema comum após gravidez ou emagrecimento.

“A diástase é o afastamento da musculatura profunda do abdômen e não conseguimos resolver apenas com atividade física. Com fisioterapia específica conseguimos recuperar essa musculatura e melhorar gordura, flacidez e sustentação corporal”, diz.

Na avaliação de Adriana, o crescimento do setor está ligado ao desejo das pessoas de se sentirem melhor consigo mesmas, além da influência das redes sociais.

“As pessoas querem ser vistas, querem se sentir bonitas e procuram alternativas com resultados concretos”, afirma.

Os preços dos tratamentos corporais variam entre R$ 2,7 mil e R$ 8 mil, dependendo dos procedimentos e das tecnologias utilizadas.

Crescimento do setor pode indicar melhora econômica

Para a economista e conselheira do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Denise Kassama, o crescimento do mercado da beleza pode refletir uma melhora econômica e na qualidade de vida da população.

“Quando segmentos que não são considerados prioritários começam a crescer, isso sinaliza que as coisas não estão tão ruins assim. O brasileiro já consegue consumir além do básico e sobra alguma renda para investir em bem-estar e autoestima”, avalia.

Ela destaca que o setor movimenta uma ampla cadeia econômica, desde salões de beleza e barbearias até clínicas especializadas, gerando renda e emprego.

“O setor de estética começa nos serviços mais acessíveis, como unha, cabelo e barbearia, que cabem no bolso da maioria das pessoas e têm muita mão de obra envolvida”, afirma.

Denise também aponta que novas formas de pagamento ampliaram o acesso aos procedimentos mais caros.

“Hoje já existem bancos oferecendo parcelamento específico para tratamentos estéticos. Isso amplia o acesso e faz o setor crescer ainda mais”, explica.

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