Após quase seis dias de julgamento, a Justiça do Amazonas condenou Gil Romero Machado Batista e José Nílson Azevedo da Silva pela morte de Débora da Silva Alves, de 18 anos, que estava grávida de oito meses. O caso chocou o país pela crueldade e teve desfecho na madrugada desta segunda-feira (1º), quando o Tribunal do Júri definiu as penas dos dois réus.
Apontado pelas investigações como mentor do crime, Gil Romero recebeu pena de 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão. Já José Nílson recebeu condenação de 17 anos e 8 meses. Além disso, a Justiça determinou o cumprimento imediato das penas em regime fechado.
Gil Romero foi apontado como mandante
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público do Amazonas (MPAM), Gil Romero mantinha um relacionamento extraconjugal com Débora e não aceitava a gravidez.
Por isso, a acusação sustenta que ele planejou a morte da jovem e contou com a ajuda de José Nílson para executar o crime. Durante o julgamento, os jurados reconheceram a responsabilidade dele por homicídio qualificado, feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.
Além disso, os magistrados consideraram agravantes como motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
José Nílson participou da execução
Enquanto isso, as investigações apontaram José Nílson como participante direto da emboscada que resultou na morte da jovem.
Embora os jurados tenham afastado duas qualificadoras e a acusação de feminicídio em relação a ele, José acabou condenado por homicídio qualificado por motivo torpe.
De acordo com a denúncia, ele ajudou Gil Romero a atrair Débora para uma área próxima à Usina Termelétrica Mauá, na zona leste de Manaus.
Como o crime aconteceu
Conforme a denúncia do Ministério Público, os condenados convenceram Débora a ir até o local com a promessa de receber um berço para o bebê que esperava.
No entanto, ao chegar ao ponto combinado, a jovem sofreu uma emboscada. Em seguida, os criminosos a mataram por asfixia com um fio elétrico.
Posteriormente, um dos envolvidos retirou o bebê do ventre da vítima. Depois disso, a dupla colocou o corpo em um tonel. Como o cadáver não cabia no recipiente, os criminosos mutilaram os pés da jovem. Por fim, atearam fogo ao corpo para tentar ocultar o crime.
Provas sustentaram a condenação
Durante o julgamento, o Ministério Público apresentou laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, rastreamentos e depoimentos de testemunhas.
Além disso, os jurados analisaram provas reunidas ao longo da investigação, incluindo declarações prestadas pelos próprios acusados durante a fase policial.
Segundo o MPAM, o conjunto probatório comprovou tanto a ocorrência dos crimes quanto a participação dos dois condenados.
Caso teve repercussão nacional
Desde 2023, o assassinato de Débora mobilizou familiares, amigos e moradores de Manaus. Durante o julgamento, parentes acompanharam as sessões em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis e pediram justiça para a jovem e para o bebê Arthur Vinicius.
Cerca de um mês após o crime, peritos identificaram os restos mortais do bebê por meio de exame de DNA. Dessa forma, a perícia confirmou o vínculo genético com Débora e esclareceu uma das etapas mais importantes da investigação.
Agora, com a condenação dos dois réus, familiares consideram encerrado um dos capítulos mais dolorosos da história criminal recente do Amazonas.
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