O Boi Caprichoso é o grande campeão do 59º Festival de Parintins. A apuração ocorreu nesta segunda-feira (29), no Bumbódromo, em Parintins, município localizado a 369 quilômetros de Manaus.
O Caprichoso empatou na primeira noite e venceu as duas noites seguintes. Ao final da apuração, o boi azul e branco somou 1.259,0 pontos, contra 1.258,3 pontos do Garantido.
Na primeira noite, Caprichoso e Garantido empataram na apuração, com 419,6 pontos cada. Já na segunda noite, o Caprichoso levou a melhor, ao somar 419,7 pontos, contra 419,3 pontos do Garantido, abrindo uma vantagem de 0,4 ponto. Na terceira noite, o boi Caprichoso venceu com 419,7 pontos, contra 419,4 pontos do Garantido.
Ao todo, os jurados avaliaram 21 itens, divididos em três blocos, que compõem a apresentação de cada boi-bumbá.
Com apresentações marcadas pela força estética, inovação e valorização da cultura amazônica, o boi azul e branco garantiu mais um título da maior festa folclórica do país.
Tema exaltou identidade e pertencimento
Ao longo das três noites de disputa, o Caprichoso apresentou o projeto artístico “Brinquedo que Canta Seu Chão”, que conduziu uma narrativa sobre identidade, ancestralidade, pertencimento e resistência dos povos da Amazônia.

O projeto artístico foi apresentado oficialmente antes do festival, durante coletiva realizada no Curral Zeca Xibelão.
Na ocasião, o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, destacou a preparação da associação para disputar o título.
“Estamos preparados. Vamos estar no chão, no tablado, na rampa, nos guindastes e nas arquibancadas. Esse é o Caprichoso que vibra, que acredita e que vive intensamente esse momento. Estamos prontos para fazer um grande festival e lutar pelo título de 2026”, afirmou.
O presidente do Conselho de Artes, Ericky Nakanome, explicou que o tema propôs uma reflexão sobre o próprio boi como símbolo cultural construído ao longo das gerações.
“Brinquedo que Canta Seu Chão é um tema de autoafirmação. O Caprichoso é muito mais do que um objeto feito de pano, espuma e isopor. Ele se tornou um símbolo que reúne sentimentos, histórias, pertencimento e identidade”, destacou.
Além disso, o espetáculo foi dividido em três atos: “O Brinquedo do Povo Canta Parintins”, “O Brinquedo Ancestral Canta Amazônia” e “O Brinquedo da Resistência Canta Norte Brasil”.
Primeira noite destacou a origem de Parintins

Na abertura do festival, o Caprichoso levou para a arena o espetáculo “O Brinquedo do Povo Canta: Parintins – O Chão de Origem”.
A apresentação valorizou a memória, a ancestralidade e os saberes populares da Ilha Tupinambarana, reforçando a relação entre o boi e a história da cidade.
Antes da entrada na arena, o apresentador Edmundo Oran falou sobre o trabalho desenvolvido pelo Conselho de Artes.
“Caprichoso vem lindo, vem audacioso, vem grandioso, e vem padrão Caprichoso. Nós trabalhamos durante meses nesse projeto Caprichoso Brinquedo que Canta seu Chão, junto com o Conselho de Artes, junto aos artistas, e vamos só executar tudo que foi ensaiado, trabalhado e planejado. Espero que dê certo para ambas as associações, todo mundo que está envolvido nesses projetos e que esteja maravilhoso no Festival de Parintins”, explicou o apresentador.
Entre os momentos mais marcantes da noite estiveram a evolução da Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, em uma estrutura suspensa, e o retorno de Rei Azevedo à arena, emocionando gerações de torcedores azulados.
Na arquibancada, a torcida também demonstrou confiança.
“É a segunda vez que eu venho na galera do meu boi. É um sentimento que eu não sei explicar, é uma emoção indescritível participar. Todo mundo que vem ao Festival de Parintins, eu convido para ficar pelo menos uma noite na galera do seu boi. Eu tenho certeza que a galera do Caprichoso se supera a cada ano, este ano vai ser mais uma apresentação e vocês vão se emocionar. E a gente vai levar esse título”, declarou Suelen Oliveira.
Já Jeanne Elamid destacou a tradição das apresentações do boi azul.
“O Caprichoso traz essa expectativa de um festival maravilhoso, de um festival organizado. As alegorias lindíssimas, perfeitas, tudo bem-acabado. O Caprichoso sempre faz um bom festival e um bom show. Então, a galera não pode esperar menos do que isso, já estamos acostumados. Todo ano é a mesma emoção. O Caprichoso entrou, a gente fica emocionada, a gente chora, a gente faz de tudo. E a galera aqui é nota 10. Não tem como não ser”, enfatizou.

Segunda noite exaltou a Amazônia e os povos originários

Na segunda apresentação, o Caprichoso apresentou “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida”.
O espetáculo destacou a floresta como espaço sagrado, protegido pelos encantados e pelos povos indígenas.
Um dos momentos mais aguardados foi a Lenda Amazônica “Curupira – O Guardião da Vida”, assinada por Roberto Reis, que trouxe a cunhã-poranga Marciele Albuquerque surgindo da alegoria.
Outro destaque foi o Ritual Indígena “Transcendência Asurini – Maraká”, conduzido pelo pajé Erick Beltrão.
“A emoção é sempre a mesma. A gente sempre tem esse frio na barriga. Mas fica muito grato ao ver a nossa nação azul e branca vibrando e gritando. Esses meses foram cruciais para que a gente pudesse fazer um belíssimo espetáculo”, afirmou o pajé.
Na arquibancada, a confiança permanecia alta.
“O espetáculo é padrão Caprichoso, uma apresentação que ninguém é páreo para ele. O Caprichoso, este ano, vem com toda a força dele, toda a garra, toda a galera. Ele vai ganhar e vai levar esse título”, declarou Maria Eduarda.

Terceira noite encerrou espetáculo com homenagem ao Norte

Na última noite, o Caprichoso apresentou “Norte Brasil – Chão de Bravos”, encerrando a narrativa iniciada no primeiro dia do festival.
Antes da apresentação, o tripa Edson Azevedo destacou a evolução do espetáculo.
“Estamos aqui na última noite, fizemos um trabalho incrível nas últimas duas noites e hoje não vai ser diferente. O Caprichoso vem trazendo uma apresentação crescente, o item 10 também”, afirmou Edson Azevedo.
A abertura emocionou o público com uma homenagem ao ex-tripa Markinho Azevedo.
Além disso, a arena recebeu a Lenda Amazônica “Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente”, a Figura Típica Regional “As Farinheiras da Amazônia”, o Auto do Boi Brasileiro – Exaltação Cultural e o Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre, que encerrou a apresentação valorizando a espiritualidade dos povos originários.
Entre o público, Maria Auxiliadora Fernandes resumiu o sentimento da torcida.
“Eu vim as três noites com muito amor, com muita fé, com a honestidade do Caprichoso, com a sua maravilhosa apresentação, muito boa e coesa”, declarou.


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