O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (30), durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, que garantir a soberania alimentar deve ser uma prioridade do Brasil.
De acordo com ele, ampliar a produção de alimentos e fortalecer a agricultura familiar são medidas estratégicas para o desenvolvimento do país.
Durante a cerimônia, realizada em Brasília (DF), o governo federal anunciou R$ 97,3 bilhões em investimentos para o setor. Os recursos contemplam linhas de crédito, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e serviços de extensão rural voltados aos agricultores familiares.
Produção de alimentos como prioridade
Ao discursar, Lula relembrou um encontro com o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que governou o país entre 1999 e 2013.
Conforme o presidente, os dois conversaram sobre a importância da produção de alimentos, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelos venezuelanos para produzir itens como leite e ovos.
“Você sabia que a melhor arma que um país tem que ter é alimento? Você sabia que nós temos que ter soberania alimentar?”, disse Lula a Chávez na ocasião em que o venezuelano apresentou aviões de caça ao presidente brasileiro.
Lula reforçou que o Brasil deve priorizar a produção nacional e recorrer à importação apenas quando não houver capacidade de fabricar determinados produtos internamente.
O presidente também incentivou os agricultores familiares a utilizarem as linhas de financiamento disponibilizadas pelo governo. Segundo ele, a administração federal mantém diálogo com os bancos públicos para reduzir as taxas de juros das operações de crédito destinadas aos produtores rurais.
Na avaliação de Lula, investir na agricultura familiar fortalece a economia, amplia a circulação de recursos e beneficia diretamente as famílias do campo. “Se tiver um dinheirinho, vai utilizar em benefício da família”, disse o presidente.
Durante o discurso, Lula também comentou sobre a extensão das terras pertencentes à União. Para ele, o governo federal concentra uma quantidade excessiva de áreas.
“Não tem porque. Nem os nossos militares necessitam de tanta terra mais. Nós não vamos ter guerra. Nós somos da paz”, afirmou.
Reconhecimento à agricultura familiar
A presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Vânia Marques, afirmou que o governo reconhece a importância dos agricultores familiares para o abastecimento do país.
“Isso é oportunidade para quem acorda de manhã, faça sol, faça chuva, para poder trabalhar, produzir e fazer com que o alimento chegue às nossas mesas”, disse.
Ela também destacou as políticas públicas voltadas às mulheres do campo. Segundo Vânia, o acesso ao crédito e a programas de incentivo amplia a autonomia financeira das agricultoras e contribui para reduzir a vulnerabilidade à violência doméstica.
Além disso, a presidente da Contag chamou atenção para os impactos das mudanças climáticas, sobretudo em um cenário de desigualdade social, e defendeu respostas rápidas para enfrentar esse desafio.
“Nós podemos ser a solução da crise climática porque nós protegemos as nascentes, recuperamos os solos, preservamos as sementes. E somos nós que produzimos com responsabilidade”, afirmou.
Solidariedade às vítimas de terremotos na Venezuela
Ao encerrar o evento, Lula manifestou solidariedade ao povo venezuelano diante dos terremotos registrados no país na semana passada.
O presidente lamentou as 1.943 mortes confirmadas até o momento e afirmou que o Brasil prestará todo o apoio possível às vítimas. De acordo com ele, o desastre também deixou 10.571 feridos e 15.866 desabrigados.
Até agora, equipes de resgate retiraram 6.461 pessoas dos escombros, enquanto o número de edificações afetadas pode ultrapassar 58 mil. Por fim, como homenagem às vítimas, Lula pediu um minuto de silêncio ao fim da cerimônia.
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