Manaus (AM) – O ditado popular “Filho de peixe, peixinho é” se encaixa perfeitamente no cenário político amazonense, onde filhos seguiram os passos dos pais e deram continuidade à trajetória na vida pública. De geração em geração, sobrenomes conhecidos permanecem em cargos eletivos, ocupam posições estratégicas em partidos e mantêm forte presença nas disputas pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Câmara dos Deputados, prefeituras e outros espaços de poder.
A chamada herança política não é uma exclusividade do Amazonas, mas o estado reúne alguns dos exemplos mais emblemáticos do país. Em diferentes regiões, famílias tradicionais consolidaram grupos políticos que seguem influenciando eleições e decisões administrativas ao longo dos anos.
Um dos casos mais conhecidos é o da família Lins. O deputado estadual Dr. George Lins representa a nova geração de um dos grupos mais longevos da política amazonense. Ele é filho do ex-deputado estadual Belarmino Lins, o Belão, um dos parlamentares com maior número de mandatos na Assembleia Legislativa, e sobrinho do deputado federal Átila Lins, que há décadas representa o Amazonas na Câmara dos Deputados.
A família Virgílio também representa uma das mais tradicionais da política amazonense. Arthur Virgílio Neto seguiu os passos do pai, o ex-senador Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro, tornando-se prefeito de Manaus por três mandatos, além de senador e deputado federal. O legado continuou com Arthur Bisneto, que exerceu mandato como deputado federal, mantendo o sobrenome entre os principais da política do Amazonas.
Entre os grupos políticos mais recentes está a família Almeida. O ex-prefeito de Manaus David Almeida ampliou a participação familiar ao inserir a filha, Fernanda Aryel, na estrutura nacional do Avante e nas articulações políticas da legenda durante o atual processo eleitoral.
No interior, poucas famílias exercem tanta influência quanto os Pinheiro, em Coari. Adail Pinheiro construiu uma das principais lideranças políticas da região ao longo de diversos mandatos como prefeito. A influência foi ampliada pelos filhos. Adail Filho, conhecido como Adailzinho, comandou o município antes de ser eleito deputado federal. A deputada estadual Mayara Pinheiro iniciou a trajetória como vice-prefeita de Coari e tornou-se uma das parlamentares mais votadas do estado. Outro filho, Emanoel Pinheiro, ocupa atualmente o cargo de vice-prefeito de Coari e também ingressou na vida política.
A tradição de pais e filhos na política também pode ser observada na família Afonso. O vereador Diego Afonso seguiu a trajetória do pai, Adjunto Afonso, que construiu carreira como vereador, deputado estadual e atualmente preside a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A história da família reforça como o legado político também se mantém entre diferentes gerações.
Outro exemplo é o da família Castelo Branco. O ex-deputado federal Sabino Castelo Branco lançou o filho Reizo Castelo Branco na política municipal. Ele foi eleito vereador de Manaus em 2008, reelegeu-se em 2012 e permaneceu na Câmara Municipal até 2016.
Na família Nicolau, a tradição também atravessa gerações. O médico Luiz Fernando Nicolau foi deputado estadual, deputado federal, presidente da Assembleia Legislativa e secretário estadual de Saúde. Os filhos também seguiram os passos do pai. Ricardo Nicolau exerceu mandato como deputado estadual e disputou a Prefeitura de Manaus em 2020, enquanto Hiram Nicolau foi eleito vereador da capital por dois mandatos consecutivos.
Outro sobrenome conhecido é Reis. O vereador David Reis construiu carreira semelhante à do pai, Sabá Reis. Ambos presidiram a Câmara Municipal de Manaus (CMM) e ocuparam secretarias estaduais e municipais ao longo da vida pública. Sabá também exerceu mandato como deputado estadual, além de sete passagens pelo Legislativo municipal.
A presença de filhos de prefeitos e ex-prefeitos também se repete em diferentes regiões do estado. Mário Abrahim consolidou o nome da família na política de Itacoatiara ao ser eleito e reeleito prefeito do município. Seguindo os passos do pai, Thiago Abrahim conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), onde exerce mandato como deputado estadual.
Para cientistas políticos, a permanência dessas famílias no poder está relacionada à força dos sobrenomes, à construção de redes de apoio e ao capital político acumulado ao longo dos anos. Em muitos municípios, principalmente no interior, o vínculo familiar facilita a continuidade de projetos políticos e a manutenção de bases eleitorais consolidadas.
Ao mesmo tempo, o fenômeno desperta debates sobre renovação política, concentração de poder e igualdade de oportunidades para novas lideranças. Enquanto alguns defendem que a experiência familiar contribui para a continuidade administrativa, outros argumentam que a predominância de sobrenomes tradicionais dificulta a renovação dos quadros políticos.
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