Manaus (AM) – Em meio à fumaça que voltou a encobrir Manaus, o deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) cobra explicações do Governo Federal sobre a aplicação de recursos destinados à prevenção e ao combate a queimadas e incêndios florestais no Amazonas. O parlamentar apresentou, em julho, o Requerimento de Informação nº 2.184/2026, com 19 questionamentos sobre verbas federais e do Fundo Amazônia previstas para o estado entre 2024 e 2026.

Na manhã desta sexta-feira (9), Manaus apareceu entre as cidades com pior qualidade do ar no ranking da plataforma internacional IQAir. A fumaça também levou instituições de ensino, como a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a suspenderem atividades presenciais.

De acordo com os dados apresentados na reportagem, bairros como Morro da Liberdade e Educandos registraram concentração de até 211 microgramas de partículas poluentes por metro cúbico. Entre 1º de julho e 23 de setembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas atuou em 16.470 focos de incêndio.

Requerimento questiona recursos do Fundo Amazônia

Um dos principais pontos levantados por Amom é o ProAmazon, projeto financiado pelo Fundo Amazônia com R$ 45 milhões para fortalecer a estrutura do Corpo de Bombeiros e ampliar as ações de prevenção e combate a incêndios florestais.

Conforme os registros oficiais do Fundo Amazônia, R$ 34,7 milhões haviam sido desembolsados até março de 2026, o equivalente a 77% do valor contratado. O projeto prevê a aquisição de veículos, drones e equipamentos de proteção, além da capacitação de agentes e da construção de três bases operacionais em Careiro Castanho, Humaitá e Lábrea.

O deputado quer saber quais valores foram efetivamente repassados, quais equipamentos já foram entregues, quais municípios receberam os recursos e qual é o estágio de cumprimento das metas. O documento também questiona a existência de atrasos, entraves em licitações e problemas na prestação de contas.

Contrato de R$ 2,1 milhões para aeronave

O parlamentar também chama atenção para a contratação emergencial de uma aeronave pelo Governo do Amazonas, no valor de R$ 2,1 milhões, sem licitação, conforme as informações apresentadas no requerimento e na reportagem.

Segundo o governo estadual, a aeronave já auxiliou operações em Parintins, Iranduba e Itacoatiara, além do combate a um incêndio em uma área de descarte irregular de resíduos no Distrito Industrial de Manaus.

A contratação levantou questionamentos sobre os custos e os detalhes operacionais do serviço, incluindo as horas de voo previstas, as regiões atendidas e o início das atividades. A empresa contratada tem como atividade principal registrada na Receita Federal a pulverização e o controle de pragas agrícolas, segundo os dados citados na reportagem.

Antes da contratação estadual, em 18 de setembro, o Corpo de Bombeiros havia solicitado ao Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal) a locação de duas aeronaves para combater incêndios florestais até o fim de novembro.

“Desde julho, alertamos que a seca e o El Niño trariam um cenário grave. O dinheiro existe: há recursos federais e do Fundo Amazônia destinados ao Amazonas. O que a população quer saber é por que, com tudo isso, Manaus continua respirando fumaça e o estado precisa recorrer a contratações emergenciais milionárias e sem licitação. Fiscalizar não é opcional, é obrigação”, afirmou Amom.

Cobrança inclui ações para os próximos anos

O requerimento também pede informações sobre a integração dos recursos federais com o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Amazonas (PPCDQ-AM) e com a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.

O parlamentar ainda questiona a previsão de novos investimentos para 2026 e 2027, em meio à recorrência de incêndios e episódios de poluição atmosférica no estado.

A consulta oficial da Câmara dos Deputados confirma que o Requerimento de Informação nº 2.184/2026 foi apresentado por Amom Mandel em 10 de julho e trata da aplicação de recursos federais e do Fundo Amazônia no combate a incêndios, queimadas não autorizadas e desmatamento no Amazonas.

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