O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso nesta sexta-feira (6), poucas horas depois de ser destituído do cargo pelo Senado. A detenção ocorreu após uma ordem do Ministério Público paraguaio, em meio às investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Peña deverá cumprir prisão domiciliar.

O Senado aprovou o impeachment por 44 votos, sob a acusação de mau desempenho de suas funções. A decisão encerrou antecipadamente o mandato de Peña, que havia assumido a Presidência em agosto de 2023 e deveria permanecer no cargo até 2028.

Com a destituição, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai para concluir o período de governo. A renúncia anunciada por Peña na quinta-feira (5) não chegou a ser formalmente aceita pelo Congresso, e o julgamento político continuou.

Crise do Ueno Bank

A crise que levou à queda de Peña começou após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição financeira que atendia milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos de recursos públicos.

O banco teve suas operações interrompidas após a identificação de problemas financeiros e suspeitas de irregularidades. A situação deixou milhões de correntistas temporariamente sem acesso aos próprios recursos e provocou protestos no país.

Peña passou a ser alvo de acusações por ter sido acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. Também foram questionadas a nomeação de Carlos Carvallo, ex-dirigente da instituição financeira, para a presidência do Banco Central, e a concentração de recursos públicos e previdenciários no banco.

Investigação criminal

Após a destituição, o Ministério Público determinou a prisão de Peña e abriu caminho para sua responsabilização na Justiça comum. A investigação apura possíveis crimes relacionados à crise financeira, incluindo suspeitas de irregularidades na gestão de recursos e favorecimento de interesses privados.

O ex-presidente nega as acusações e afirmou que pretende colaborar com as autoridades. A defesa também questionou os procedimentos adotados durante o julgamento político.

A crise provocou mudanças na estrutura do governo paraguaio e ampliou a pressão por esclarecimentos sobre a atuação das autoridades reguladoras e dos responsáveis pela instituição financeira.

O caso segue em investigação, enquanto o novo governo assume o desafio de recuperar a confiança no sistema financeiro e buscar soluções para os clientes afetados pela crise.

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