O som que ecoa nas salas do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Poeta Manuel Bandeira, no conjunto Castanheira, bairro Zumbi dos Palmares II, Zona Leste de Manaus, é diferente do habitual. Não é o burburinho infantil nem o tilintar dos lápis. É um som suave que parece sussurrar descobertas: o som do Sussurrofone Educacional, uma ferramenta simples capaz de transformar a forma como as crianças aprendem a ler e escrever.

Dentro das salas coloridas, cercadas de desenhos e estantes com livros infantis, o objeto chama atenção. Feito de um cano de PVC curvado e leve, ele é posicionado próximo à boca das crianças, que começam a pronunciar palavras e frases com encantamento.

O retorno imediato da própria voz desperta uma percepção nova: cada som tem significado e cada palavra tem uma forma específica de ser dita.

Participação das famílias no processo de aprendizagem

Para Francisca da Silva, mãe de Dejanny Pietra Lucas, de 6 anos, a proposta trouxe resultados imediatos.

“Eu nunca tinha ouvido falar dessa atividade. Minha filha também adorou, pois pôde praticar as palavras e participar de forma ativa. Lemos a historinha enviada pela professora e foi extraordinário. É uma proposta bem didática, e percebi grande evolução na aprendizagem dela”, contou Francisca, sorridente.

A ideia surgiu da observação do cotidiano escolar, quando a equipe pedagógica notou dificuldades de pronúncia e compreensão em algumas crianças. A busca por uma solução simples e eficaz levou ao Sussurrofone.

Foto: Divulgação

Tecnologia simples que aproxima fala e escrita

“Antes, dependíamos apenas da repetição oral e do reforço no caderno. Agora, com o Sussurrofone, elas conseguem ouvir seus próprios sons e perceber as diferenças. É como se a tecnologia fosse uma ponte entre a fala e a escrita”, conta Simone Medeiros, professora do 1º período.

Simone destaca que a ferramenta também incentiva a participação das famílias.

“O Sussurrofone é tão fácil de fazer que as famílias também podem construir em casa e participar do aprendizado. Essa parceria entre família e escola é essencial”, explica, emocionada.

Na rotina das turmas, o “cantinho da leitura” tornou-se um dos espaços mais esperados. Entre livros ilustrados, as crianças escolhem uma história para explorar durante a semana. Com o Sussurrofone em mãos, mergulham nas narrativas enquanto ouvem a própria voz.

“Esse momento é mágico. Eles se reconhecem, percebem como pronunciam, e isso fortalece a linguagem de forma lúdica e afetiva”, afirma Simone, com um sorriso de satisfação.

Compreender o tempo da infância

Para a diretora do Cmei, Christianne Rezende, o segredo da alfabetização está no respeito ao tempo de cada criança.

“Todo processo de aprendizagem é, de fato, um processo. Os pais precisam entender que ler e escrever não acontecem de um dia para o outro. Primeiro, é preciso trabalhar a mente e a consciência. Quando as crianças percebem que as palavras têm som antes de terem forma, a escrita acontece naturalmente”, destaca.

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A experiência do Cmei Poeta Manuel Bandeira integra as ações da Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), para aprimorar o ensino na rede municipal. A unidade, que atende 382 crianças, reforça o compromisso de tornar a alfabetização um caminho prazeroso e significativo.

Mais do que uma ferramenta pedagógica, o Sussurrofone se tornou um instrumento de descoberta. Entre sussurros e risadas, as crianças aprendem a falar, ler e escrever — e também a reconhecer suas próprias vozes no mundo.

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