O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que planeja formar um bloco com países de direita na América do Sul para enfrentar a esquerda na região. Em entrevista à rede de televisão, concedida no fim do ano passado, ele declarou que o grupo deve reunir cerca de dez países, sem especificar quais nações fariam parte da iniciativa.
Segundo Milei, a região teria despertado para o que ele define como os efeitos negativos do socialismo. Para o presidente argentino, “o socialismo é uma farsa criada por um conjunto de bandidos para tomar o poder e empobrecer a população”.
Cenário político regional passa por mudanças
A declaração ocorre em um contexto de mudanças recentes no cenário político da América do Sul, com avanços da direita em eleições nacionais. O Chile elegeu o ultradireitista José Antonio Kast, enquanto a Bolívia escolheu o direitista Rodrigo Paz como presidente. O Paraguai é governado por Santiago Peña, e o Equador, por Daniel Noboa, ambos alinhados à direita.
Por outro lado, países como Brasil, Uruguai e Colômbia mantêm governos progressistas, após terem passado por um movimento inverso. No caso colombiano, porém, há expectativa de retorno da direita ao poder nas eleições de maio, impulsionada pela baixa popularidade do atual presidente, o esquerdista Gustavo Petro.
Ao comentar esse cenário, Milei afirmou: “Parece que a região acordou do pesadelo do socialismo”. Segundo ele, a proposta do bloco é enfrentar o que chama de socialismo do século 21, classificado por ele como “woke”, termo controverso associado ao ideário progressista e à conscientização sobre injustiças enfrentadas por minorias.
Relação com China e Estados Unidos
Durante a entrevista, Milei também foi questionado sobre a relação da Argentina com a China e se isso poderia confrontar a estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, país com cujo presidente ele mantém proximidade política. O argentino respondeu que o aspecto geopolítico da política americana é distinto do aspecto comercial que a Argentina mantém com os chineses, indicando que as relações econômicas não interferem no alinhamento estratégico.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
Leia mais: Milei compartilha imagem que mostra Brasil como favela e Argentina futurística
