No meu dia a dia no consultório, percebo que muita gente encara a infecção urinária como um “incômodo passageiro”. Mas, como urologista, meu dever é alertar: ela é a infecção bacteriana mais comum no ser humano e, se negligenciada, pode se tornar uma ameaça séria à sua vida.
Muitos perguntam: “Por que eu?”. A estatística é clara: para cada homem com infecção, temos cerca de quase quatro mulheres sofrendo com o problema. Isso acontece por uma questão puramente anatômica.
A uretra feminina é muito curta. Imagine um caminho: para a bactéria chegar à bexiga da mulher, a distância é mínima. No homem, o trajeto é longo e difícil. Por isso, as mulheres precisam de atenção redobrada com a prevenção. É fundamental que você saiba diferenciar o “alerta” da “emergência”.
No consultório, dividimos as infecções em dois grandes grupos:
A Cistite (Bexiga) é aquela que causa ardência, dor no baixo ventre e aquela vontade de ir ao banheiro a cada cinco minutos para urinar apenas “gotinhas”. É desconfortável, mas geralmente tratável em casa com acompanhamento.
A Pielonefrite (Rins) é quando a bactéria sobe para os rins, o paciente pode apresentar febre, dor lombar e mal-estar geral. Nesses casos, a internação é frequente, podendo evoluir para UTI e, em casos extremos, até o óbito. Infecção urinária não é brincadeira. Se você tem três ou mais infecções por ano, algo está errado. Não é apenas “azar”.
Como urologista, investigo fatores que favorecem essas bactérias, como cálculos urinários (pedras), baixa imunidade ou alterações na anatomia. Um grupo que acompanho de perto são os homens acima dos 50 anos. Neles, a infecção urinária frequente é um sinal clássico de que a próstata aumentou. A urina fica “parada” na bexiga, o fluxo diminui e o ambiente se torna perfeito para as bactérias.
Muitas vezes, a solução definitiva não é o antibiótico, mas sim o tratamento cirúrgico para liberar o fluxo urinário. O melhor tratamento começa no filtro da sua cozinha e nos seus hábitos. Minha “receita” preventiva para todos os meus pacientes é simples, mas poderosa: A água é o melhor detergente para o seu sistema urinário.
Beber líquidos faz com que você “lave” a uretra naturalmente. O hábito de adiar a ida ao banheiro é um convite para as bactérias subirem. Sentiu vontade? Vá. Cuidado com a automedicação: Tomar antibiótico por conta própria cria bactérias super-resistentes. Isso torna o tratamento futuro muito mais difícil e perigoso. Se você apresenta sintomas recorrentes, não se acostume com a dor.
A urologia moderna oferece diagnósticos precisos para que você recupere sua qualidade de vida e proteja o que você tem de mais valioso: sua saúde. Cuidar do sistema urinário é, em última análise, cuidar da sua longevidade.
Os rins são os grandes filtros da vida e qualquer infecção que os atinja é um ataque direto à sua vitalidade. Meu compromisso como médico é oferecer a você não apenas o tratamento medicamentoso, mas a consciência preventiva que evita o sofrimento e a hospitalização.

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