Em um ano marcado pelo protagonismo das decisões climáticas globais, com a realização da COP30 em novembro de 2025, em Belém (PA), empresas de todos os portes devem sentir, já em 2026, os efeitos das novas exigências ambientais. A avaliação é do especialista em gestão e professor da Estácio, Flávio Guimarães.

Segundo ele, a principal mudança será a pressão imediata por sustentabilidade e descarbonização. Além disso, o cenário também aponta para a abertura de novas oportunidades de mercado ligadas à agenda ESG.

“O que impacta de imediato é a pressão por sustentabilidade e descarbonização, além da geração de novas oportunidades do mercado, como o aquecimento do segmento ESG”, afirma.

Descarbonização e planos sustentáveis na prática

Na prática, as empresas terão de adotar métodos de descarbonização, com redução da emissão de gases poluentes por meio da transição energética e do uso de tecnologias limpas. Além disso, será necessário implementar planos sustentáveis que incluam reciclagem, gestão eficiente da água e combate à poluição.

Dessa forma, a adequação ambiental deixa de ser apenas uma escolha estratégica e passa a integrar a rotina operacional das organizações.

Grandes empresas lideram o processo de adaptação

Para Flávio, as grandes empresas devem liderar esse movimento, principalmente por atuarem em larga escala e sofrerem maior pressão por ajustes sustentáveis em suas operações.

“As grandes empresas vão ser uma força motriz da mudança. Já as pequenas e médias empresas vão servir como amparo, mas vão fazer ajustes aos poucos. As grandes mudanças virão das grandes empresas”, explica.

Nesse sentido, a tendência é que as companhias de menor porte sigam o exemplo das grandes, buscando se adequar a um modelo que equilibre lucro e preservação ambiental.

Sustentabilidade influencia crédito e financiamentos

Outro reflexo direto dessas transformações está no acesso a crédito e financiamento. Segundo o especialista, empresas com melhor desempenho ambiental devem encontrar condições mais favoráveis no mercado financeiro.

“Em relação aos créditos, com certeza aqueles que estão trabalhando mais o equilíbrio da situação de poluição versus meio ambiente vão ter financiamentos e juros mais acessíveis. Eles estão chamando isso de financiamento verde”, diz.

Além disso, esse modelo está diretamente ligado ao conceito de crédito de carbono. “Quanto mais você estiver dentro desse controle ambiental, mais provavelmente você terá uma taxa menor de juros, menor restrição de crédito. É por isso que falam muito de crédito de carbono. A gente diz assim: eu não derrubo a árvore e vocês me dão o quê em troca?”, exemplifica.

Caminho sem volta e comparação com o PIM

Para o professor, esse movimento é irreversível e está relacionado à responsabilidade com as próximas gerações.

“À medida que há inovações nos processos, acontece uma eficiência mais energética. Você usa menos combustível e mais energia renovável para poder trabalhar”, afirma.

Ao contextualizar o cenário, Flávio relembra a década de 1990, quando o Polo Industrial de Manaus (PIM) passou por forte pressão regulatória.

“Naquela época, precisou de muitas certificações, como ISO 9000, 9001, 9002, 14.000 e 18.000. Agora vai ser muito parecido, com uma pressão regulatória: tem que fazer, tem que fazer”, compara.

Por fim, ele destaca que, além das exigências, o novo contexto também deve abrir mercado para investimentos e gerar vantagem competitiva.

“As empresas vão divulgar-se como detentoras da bandeira verde, da ecologia, sustentabilidade e equilíbrio ambiental. Isso gera credibilidade no segmento da governança ESG daquela empresa”, conclui.