A oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com críticas ao desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado neste domingo (15/02), na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A escola apresentou o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, exaltando a trajetória do petista.
Nos dias que antecederam o carnaval, o desfile foi questionado por pelo menos dez ações protocoladas na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU). Parlamentares e partidos de oposição alegaram que a homenagem poderia configurar propaganda eleitoral antecipada.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, na quinta-feira (12), um pedido liminar para impedir a apresentação. Apesar de liberar o desfile, ministros alertaram que eventuais manifestações na avenida poderiam ser enquadradas como crime eleitoral, dependendo do conteúdo.
Após o posicionamento do TSE, o governo orientou autoridades a evitarem qualquer ato que pudesse ser interpretado como propaganda. Havia expectativa de que a primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), participasse do desfile em carro alegórico, mas ela permaneceu no camarote ao lado do presidente. Em nota, afirmou que, embora houvesse “segurança jurídica”, preferiu não desfilar para evitar “possíveis perseguições à escola e ao presidente”.
Na segunda-feira (16), o Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral pedindo a inelegibilidade de Lula. O presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, afirmou que teria ocorrido propaganda antecipada com uso de recursos públicos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também criticou o desfile e declarou que ingressará com ação judicial. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) questionou a decisão do TSE e informou que pretende apresentar representação por improbidade administrativa, além de eventual ação por abuso de poder político e econômico caso haja registro de candidatura.
Em nota, o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) afirmou que o carnaval “não é palanque” e defendeu apuração sobre possível uso indevido de recursos públicos e desrespeito à liberdade religiosa, mencionando alegorias que, segundo ele, teriam ridicularizado adversários e valores cristãos.
Enredo e referências políticas
A escola apresentou a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste, a migração para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico, a atuação sindical e a chegada à Presidência. A comissão de frente reproduziu a rampa do Palácio do Planalto, em referência à última posse presidencial, e incluiu representações de figuras públicas como o ministro Alexandre de Moraes, além dos ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O carro abre-alas retratou o agreste pernambucano, região natal de Lula. Outro carro apresentou críticas a políticas do governo Bolsonaro, especialmente na condução da pandemia, e fez referência à prisão do ex-presidente.
Nas redes sociais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou imagem de uma alegoria que fazia menção ao marido e afirmou que Lula foi condenado por corrupção, classificando a informação como “registro judicial”. Já o senador Sergio Moro (União-PR) afirmou que houve “abuso de poder” e criticou o conteúdo apresentado.

Após o desfile, Lula publicou mensagem relatando participação no carnaval em Recife, Salvador e no Rio de Janeiro. Ele citou, além da Acadêmicos de Niterói, as escolas Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Durante a noite, o presidente deixou o camarote para cumprimentar integrantes das agremiações, incluindo o casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola homenageante.
(*) Com informações do portal G1
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