A apuração dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro acontece nesta quarta-feira (18), a partir das 16h. Ao todo, 12 escolas de samba disputam o título de campeã do Carnaval 2026 e entram na disputa final ponto a ponto.

O público acompanha o resultado ao vivo pela TV Globo. Ao final da leitura das notas, a escola que somar mais pontos conquista o troféu. Por outro lado, a agremiação com a menor pontuação desce para a Série Ouro em 2027.

Os jurados analisam nove quesitos: bateria, harmonia, evolução, samba-enredo, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, alegoria, enredo e fantasia. Assim, a soma das avaliações define a grande vencedora do Carnaval do Rio.

Primeira noite teve política, MPB e cultura afro-brasileira

Os desfiles começaram na noite de domingo (15), na Marquês de Sapucaí. Na ocasião, Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira abriram a competição. Cada escola apresentou seu enredo em até 80 minutos e, nesse contexto, levou à avenida temas ligados à política, à música, a homenagens artísticas e à cultura afro-brasileira.

A Acadêmicos de Niterói, campeã da Série Ouro em 2025 e estreante no Grupo Especial, apresentou o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, criado pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo.

Em seguida, a Imperatriz Leopoldinense homenageou Ney Matogrosso com o enredo “Camaleônico”. A escola exaltou “a obra e a virtuosidade performática do intérprete de sucessos como “Sangue Latino”, “Rosa de Hiroshima”, “O Vira”, “Homem com H” e “Metamorfose Ambulante””.

Na sequência, a Portela levou para a Sapucaí “O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. A agremiação narrou a história do Rio Grande do Sul a partir de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe do Benin que viveu na região.

Por fim, a Estação Primeira de Mangueira encerrou a primeira noite com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju — O Guardião da Amazônia Negra”. A escola destacou tradições afro-indígenas da Amazônia e apresentou a trajetória do curandeiro amapaense, sob direção do carnavalesco Sidnei França e com pesquisa de Sthefanye Paz e Felipe Tinoco.

Segunda noite reforçou homenagens e grandes apresentações

Já na segunda noite, entre segunda (16) e a madrugada de terça-feira (17), o público acompanhou novos tributos e apresentações de destaque.

A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu os desfiles com o samba-enredo “Rita Lee, A Padroeira da Liberdade”, assinado por Renato Lage. Além disso, um dos carros alegóricos homenageou o cachorro Orelha, representado ao lado de outros animais. Rita Lee atuou como ativista da causa animal e defendeu o veganismo, dedicando parte da vida à proteção dos bichos.

Logo depois, a Beija-Flor levou para a avenida um enredo sobre o Bembé do Mercado, tradicional manifestação do candomblé de rua de Santo Amaro de Purificação, no Recôncavo Baiano. João Vitor Araújo assinou o desfile, repetindo a parceria que rendeu o título de 2025 à escola.

A Unidos do Viradouro, por sua vez, destacou o retorno da rainha de bateria Juliana Paes após 17 anos fora do cargo. Ao mesmo tempo, a agremiação homenageou o Mestre Ciça, tema central do samba-enredo deste ano.

Encerrando a segunda noite, a Unidos da Tijuca celebrou a escritora Carolina Maria de Jesus. O enredo levou o nome da autora, considerada uma das principais vozes da literatura brasileira.

Últimos desfiles antecedem decisão

Antes da apuração, quatro escolas ainda entram na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio. Desfilam, respectivamente: Paraíso do Tuiuti (22h), Unidos de Vila Isabel (23h30), Acadêmicos do Grande Rio (1h) e Acadêmicos do Salgueiro (2h30).

Dessa forma, o Carnaval 2026 do Rio se aproxima da definição da campeã do Grupo Especial. Em meio a homenagens, diversidade temática e disputas acirradas, cada décimo pode decidir o título.

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