O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, afirmou que vai ampliar o arsenal nuclear do país e condicionou qualquer melhora nas relações com os Estados Unidos exclusivamente à posição de Washington. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (26) pela agência estatal KCNA.
A declaração ocorreu no encerramento do 9º congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, que durou uma semana e terminou com um desfile militar em Pyongyang, na quarta-feira (25). Segundo a KCNA, o regime definiu metas políticas para os próximos cinco anos.
“É a vontade firme do nosso partido expandir e fortalecer ainda mais nosso poder nuclear e exercer plenamente nosso status como Estado nuclear”, disse Kim. Ele destacou que o foco será aumentar o número de armas atômicas e diversificar os meios de lançamento.
Além disso, o líder celebrou o que chamou de “elevação extraordinária” do status internacional do país.
Estimativas e novos armamentos
Estimativas divulgadas no ano passado pelo think tank Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo indicam que a Coreia do Norte possui cerca de 50 ogivas nucleares, além de material físsil suficiente para produzir até outras 40. O país tem acelerado a fabricação.
Kim também apresentou planos para desenvolver mísseis balísticos intercontinentais mais potentes, incluindo modelos lançados debaixo d’água, sistemas de ataque com uso de inteligência artificial, drones não tripulados e armas capazes de atingir satélites inimigos, informou a KCNA.
Imagens divulgadas pela mídia estatal mostraram formações de soldados marchando pela iluminada praça Kim Il-Sung, em Pyongyang, sob um palanque onde Kim e sua filha estavam ao lado de altos funcionários. Não havia equipamentos militares visíveis nas fotos.
A presença da filha do líder —acredita-se que se chame Kim Ju-ae e tenha 13 anos— intensificou especulações sobre uma possível sucessão. Segundo a inteligência da Coreia do Sul, a adolescente já participa de discussões políticas e exerce influência em decisões estratégicas.
Relações com os Estados Unidos
Kim manteve aberta a possibilidade de diálogo com os Estados Unidos, mas reforçou que a Coreia do Norte adota “a posição mais dura” em relação a Washington.
“Se os EUA retirarem sua política de confrontação com a Coreia do Norte, respeitando o status atual do nosso país, não há razão para que não possamos nos dar bem com os EUA”, afirmou.
Até o momento, o líder norte-coreano não aceitou convites do presidente Donald Trump, com quem se encontrou três vezes durante o primeiro mandato do republicano.
Trump planeja viajar para a China de 31 de março a 2 de abril. Especialistas, incluindo a agência de inteligência da Coreia do Sul, especulam sobre um possível encontro nesse período.
Tensão com a Coreia do Sul
Por outro lado, Kim chamou a Coreia do Sul de “inimigo mais hostil” e descartou discussões com Seul.
“a atitude conciliatória que o atual governo da Coreia do Sul defende na superfície é desajeitadamente enganosa e grosseira”, declarou, segundo a KCNA.
Desde que assumiu o cargo em junho do ano passado, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung tem feito gestos para melhorar as relações entre os vizinhos, que seguem tecnicamente em guerra. No entanto, Pyongyang rejeita consistentemente as iniciativas do governo liberal.
Kim afirmou ainda que Pyongyang “pode iniciar ações arbitrárias” se a Coreia do Sul adotar “comportamentos desagradáveis” direcionados ao Norte.
Para Rachel Minyoung Lee, pesquisadora sênior do Programa Coreia do think tank americano Stimson, as declarações estão entre os alertas mais diretos de Kim contra Seul. Ainda assim, o presidente sul-coreano reiterou que os esforços para construir confiança e encontrar pontos em comum precisam continuar para garantir a paz na região.
(*) Com informações da Folha de S. Paulo
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