Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que o ministro Alexandre de Moraes enfrenta um momento de pressão após a revelação de novas trocas de mensagens entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo essa avaliação interna, a relação de Moraes com o dono do Banco Master deixa o ministro exposto e com uma rede de apoio menor dentro da Corte.
Além disso, ministros do tribunal temem que a crise ganhe novos desdobramentos caso a Polícia Federal (PF) envie ao Supremo um relatório com detalhes dos contatos entre o magistrado e a instituição financeira.
O Banco Master teve liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central do Brasil.
Possível relatório da PF preocupa ministros
Nos bastidores do STF, ministros avaliam que um relatório da Polícia Federal sobre Moraes pode ter impacto semelhante ao documento que levou o ministro Dias Toffoli a deixar a relatoria do caso envolvendo o Banco Master.
O relatório sobre Toffoli tinha mais de 200 páginas e reunia fotos de satélite, cruzamento de dados e informações detalhadas sobre a relação do magistrado com integrantes do banco.
Por isso, integrantes da Corte acreditam que um documento semelhante sobre Moraes poderia trazer novas informações sobre o caso e ampliar o desgaste do ministro.
Moraes teve apoio amplo durante investigações
Durante as investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro manteve apoio da maioria do Supremo e de parte da classe política.
Naquele período, o respaldo ao magistrado vinha de diferentes setores políticos, da esquerda ao centro-direita. As críticas ficavam concentradas principalmente entre aliados do ex-presidente.
Além disso, apesar de questionamentos nos bastidores sobre decisões consideradas amplas na interpretação da lei penal, Moraes continuava com apoio dos colegas nos julgamentos.
Ministros cobram esclarecimentos
Agora, no entanto, parte dos ministros que apoiava Moraes avalia que as mensagens reveladas são graves.
Segundo essa avaliação, o ministro precisa prestar esclarecimentos mais detalhados sobre o caso.
Ao mesmo tempo, setores da esquerda têm evitado sair publicamente em defesa do magistrado.
(*) Com informações da CNN Brasil
