Natural de Manacapuru, no interior do Amazonas, o deputado estadual Cristiano da Silva D’Angelo construiu sua trajetória profissional ligada ao setor produtivo. Filho de Antônio Saraiva D’Angelo e Belzete Ferreira da Silva, ele cresceu em uma família com atuação na agricultura e na pecuária, realidade que, segundo o parlamentar, contribuiu para fortalecer sua relação com o campo e com as demandas das comunidades rurais. D’Angelo é pai de Cristiano Filho e Maria Clara.

Empresário desde os 16 anos, D’Angelo afirma que a experiência no interior influenciou sua visão sobre desenvolvimento regional e geração de oportunidades.

Em 2022, foi eleito deputado estadual pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), com 36.658 votos, iniciando o primeiro mandato na 20ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

Atual presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Aquicultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Comapa) da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), o parlamentar falou ao EM TEMPO sobre o seu direcionamento político às pautas relacionadas ao desenvolvimento do interior, ao fortalecimento da produção rural e à melhoria da qualidade de vida da população amazonense.

Em Tempo – Quais políticas públicas a Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Aquicultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Comapa) tem defendido para apoiar os pequenos produtores do Amazonas?

Cristiano D’Angelo – Estamos nos esforçando para ampliar o apoio ao pequeno produtor para que ele possa produzir e vender. Isso requer maior acesso ao crédito, mais ajuda técnica nas áreas rurais e, ao mesmo tempo, um mercado para aqueles que produzem. O Amazonas ainda depende muito de produtos que vêm de fora.

ET – O que precisa mudar para fortalecer a produção local?

CD – Hoje, ainda recebemos muitos alimentos de outros estados, e isso mostra que precisamos fortalecer a produção local. Para isso, as condições de trabalho do produtor precisam ser melhoradas: acesso a financiamento, apoio técnico e melhores condições de transporte para distribuir a produção.

ET – Na prática, hoje, qual é o maior gargalo enfrentado pelo pequeno produtor no estado?

CD – A logística ainda é um dos principais problemas que permanecem. O Amazonas é enorme, e muitas regiões dependem de barcos para movimentar a produção. Isso, então, aumenta os custos de tudo. Muitos agricultores também ainda enfrentam dificuldades para encontrar financiamento e assistência técnica.

ET- Quais entraves legais ou legislativos mais dificultam o avanço do agronegócio no Amazonas?

CD – Há uma enorme burocracia para o produtor, especialmente em termos de regularização fundiária e licenças ambientais. O objetivo é fazer essas coisas sem qualquer degradação ambiental.

ET – É possível ampliar a produção agrícola sem comprometer a preservação ambiental? Como fazer esse equilíbrio?

CD – Sim, é viável. O Amazonas já possui áreas existentes que podem ser revitalizadas. Com a tecnologia e gestão adequadas, podemos aumentar os níveis de produção sem causar novo desmatamento.

ET – Que tecnologias ou novidades podem transformar a realidade do produtor rural Amazonense?

CD – Atualmente, muitas tecnologias ajudam o produtor, como técnicas de plantio melhoradas, sementes adaptadas e equipamentos para facilitar o trabalho no campo. A tecnologia também auxilia no acesso à informação e na potencial comercialização dos produtos.

ET – O que precisa melhorar na relação entre produtores, governo e mercado para fortalecer a economia rural?

CD – O diálogo é essencial. O produtor deve ser ouvido, o governo deve elaborar políticas que realmente importem e o mercado deve valorizar o que é produzido aqui no estado.

ET – Qual o papel da Comapa nesse processo de preparação do Amazonas para os desafios econômicos e políticos?

CD – A Comissão monitora as demandas do setor rural e promove debates sobre quais medidas tomar para fortalecer a produção no estado. Assim, é um espaço importante para ouvir os produtores e discutir os caminhos para o desenvolvimento das áreas rurais no Amazonas.

ET – Pensando nos próximos anos, qual deve ser a principal prioridade para que o setor rural se torne motor de desenvolvimento no estado?

CD – A prioridade é que o produtor tenha uma boa estrutura para trabalhar melhor. Isso implica regularização fundiária, crédito, assistência técnica e melhoria do transporte da produção. Nessas circunstâncias, o setor rural está muito bem preparado para a geração de empregos e renda no interior do estado.