O Processo Produtivo Básico (PPB) que orienta a fabricação de televisores no Polo Industrial de Manaus (PIM) passará por mudanças para atender à TV 3.0.

Um grupo de trabalho formado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), elabora as novas diretrizes. No entanto, ainda não há prazo para conclusão.

A transição para a nova tecnologia, inicialmente prevista para começar em junho, durante a Copa do Mundo, deve ser adiada.

Governo prepara nova regulamentação para TV 3.0

O MDIC confirmou que o trabalho ocorre de forma conjunta entre os ministérios e a Suframa. Contudo, o governo ainda não definiu prazo para conclusão nem para submissão à consulta pública.

“A revisão do Processo Produtivo Básico para aparelhos de TV está prevista no Decreto 12.595/2025, que dispõe sobre a escolha do padrão tecnológico da TV 3.0. Esse padrão está sendo definido por um comitê liderado pelo Ministério das Comunicações, com participação do setor produtivo. Paralelamente, e em atendimento ao decreto, o MDIC, o MCTI e a Suframa, que compõem um Grupo de Trabalho permanente sobre PPBs, está elaborando uma proposta de Processo Produtivo Básico para a TV 3.0, que será submetida à consulta pública quando estiver finalizada”, informou.

Além disso, o ministério afirmou que, após a proposta, o prazo para publicação da portaria será de até 120 dias.

Indústria aguarda definição para adaptar produção

Segundo o presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, o setor aguarda a conclusão das normas federais.

Ele afirma que os televisores produzidos atualmente no PIM ainda não seguem o padrão definitivo da nova tecnologia.

“Embora os aparelhos fabricados hoje sejam altamente conectados e inteligentes, a implementação efetiva do padrão 3.0 depende da conclusão das normativas técnicas pelo Governo Federal, o que exigirá uma consequente e criteriosa revisão do PPB. Como essa adequação afeta diretamente o processo fabril e o cronograma do setor, a indústria mantém uma postura de prudência, aguardando a consolidação desse marco regulatório para então adaptar suas linhas de montagem com segurança e garantir a competitividade das empresas instaladas no Amazonas”, explicou Silva.

O que é a TV 3.0

A TV 3.0 deve integrar televisão aberta e internet em um único sistema gratuito.

Com isso, os canais poderão funcionar como aplicativos. O usuário poderá, por exemplo:

  • votar em programas
  • escolher ângulos de câmera em eventos esportivos
  • realizar compras diretamente pela TV

Além disso, a navegação deixará de ser numérica. Os canais serão acessados por aplicativos das emissoras, de forma semelhante às plataformas de streaming.

Melhorias em imagem e som

De acordo com o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, a tecnologia permitirá transmissões em 4K e, futuramente, até 8K, com suporte a HDR.

O áudio também será aprimorado, com som imersivo, desde que o aparelho seja compatível.

Por outro lado, televisores com resolução inferior podem não alcançar a qualidade máxima do novo padrão.

Migração será gradual no país

Em agosto de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a estreia da TV 3.0 até junho deste ano. No entanto, o cronograma deve ser revisto.

A migração será gradual, começando pelas grandes capitais, como ocorreu na transição para a TV digital a partir de 2007. Quem não tiver aparelhos compatíveis precisará utilizar conversores externos.

Produção depende de definição técnica

O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento, afirma que ainda não há previsão concreta para os novos aparelhos.

“Ainda é cedo para determinar quando as primeiras TVs com conversor integrado estarão disponíveis”, afirma.