Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Neto, nascido em Manaus em 1945, é um dos nomes mais conhecidos da política amazonense. Formado em Direito, construiu uma trajetória sólida no cenário nacional, com atuação como deputado federal e senador da República, destacando-se por seu estilo combativo e presença ativa nos debates políticos.
Filiado por muitos anos ao PSDB, ganhou projeção nacional ao defender pautas ligadas à democracia, à ética e ao desenvolvimento da região Norte. Sua atuação firme e posicionamentos claros o tornaram uma figura influente tanto no Congresso quanto no debate público brasileiro.
No âmbito local, foi prefeito de Manaus por três mandatos, liderando projetos de infraestrutura, mobilidade urbana e recuperação financeira do município. Também atuou como embaixador do Brasil em Israel, ampliando sua experiência internacional e consolidando uma carreira marcada por protagonismo e relevância política. Em entrevista ao Em Tempo, Arthur Neto falou sobre propostas com foco em avanços para o Amazonas, relembrou sua trajetória política e destacou a importância da representatividade, aliando experiência e renovação no cenário político.
Em Tempo – Na sua avaliação, o Congresso atual carece de mais experiência ou de renovação?
Arthur Virgílio – O congresso necessita tanto de experiência quanto de renovação. A experiência é fundamental para garantir conhecimento técnico, continuidade de políticas públicas e capacidade de negociação em temas complexos. Em paralelo, a renovação traz novas ideias, maior representatividade social e adaptação às mudanças da sociedade, evitando que o sistema político se torne distante da população. O equilíbrio entre esses dois elementos é o que permite um legislativo mais eficiente, capaz de responder aos desafios atuais sem perder a estabilidade institucional.
ET – Que legado da sua trajetória o senhor considera mais relevante para credenciar sua volta ao Congresso?
AV – Experiência, conhecimento, capacidade de diálogo e resultados concretos ao longo da minha trajetória. Ao longo dos anos, construí uma atuação baseada na defesa dos interesses da população, na busca por soluções viáveis e no compromisso com o desenvolvimento regional, como a defesa da Zona Franca de Manaus. Esse conjunto de experiências me credencia a voltar ao Congresso sempre preparado para enfrentar os desafios atuais e contribuir de forma efetiva na construção de políticas públicas.
ET – Como senador, o senhor se destacou como líder da oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje, manteria o mesmo estilo combativo ou adotaria outra estratégia?
AV – Sempre vou seguir as minhas crenças, quando não concordar com algo irei me manifestar seja em qualquer governo, dentro ou fora da vida pública. Meu compromisso é com a população brasileira, em especial, com o Amazonas.

ET – Após décadas de vida pública, incluindo prefeitura e Senado, por que voltar agora à Câmara dos Deputados?
AV – Porque acredito que posso contribuir de forma mais direta neste momento em que o país enfrenta desafios importantes. A experiência acumulada ao longo dos anos, ocupando cargos na esfera local e nacional, me dá uma visão mais ampla para novamente atuar na Câmara, onde muitas decisões começam e impactam diretamente a vida da população. Volto com disposição para somar, ajudar na construção de soluções e representar com responsabilidade os interesses da sociedade.
ET – O que precisa ser feito para diversificar a economia do Amazonas, além da Zona Franca?
AV – É preciso atacar gargalos estruturais e apostar em vocações regionais. Isso passa por investir em infraestrutura logística e digital, reduzir o custo de transporte e energia, e ampliar a conectividade para integrar o estado ao restante do país. Também é essencial fortalecer a bioeconomia, com uso sustentável da biodiversidade, agregando valor localmente. Ao mesmo tempo, o incentivo ao turismo ecológico, à pesca manejada e à agricultura sustentável pode gerar renda sem pressionar o meio ambiente. Outro ponto é investir em educação técnica e inovação, aproximando universidades, centros de pesquisa e empresas, além das linhas de crédito e segurança jurídica para atrair novos investimentos. Nós não precisamos derrubar a floresta para diversificar a economia no Amazonas. Esses fatores somados à Zona Franca podem se refletir em várias outras matrizes econômicas.
ET – O Amazonas ainda sofre com isolamento logístico. Qual solução o senhor defende?
AV – O Amazonas precisa superar seu isolamento logístico com soluções estruturantes. Sempre defendi que uma ferrovia seria uma alternativa estratégica, por ser mais eficiente no transporte de cargas e com menor impacto ambiental e social. No entanto, essa proposta acabou sendo voto vencido. Diante disso, defendo o avanço da rodovia BR 319 como solução mais imediata e viável para garantir a integração do estado com o restante do país. É fundamental que essa obra seja feita com responsabilidade ambiental e diálogo, para assegurar desenvolvimento econômico sem abrir mão da preservação da Amazônia.
ET – O estado enfrenta desafios históricos na saúde. O que pode ser feito em nível federal?
AV – O Amazonas enfrenta desafios únicos na saúde por conta das grandes distâncias e da dificuldade de acesso às comunidades. Em nível federal, é fundamental ampliar os investimentos no SUS, com foco na regionalização do atendimento e no fortalecimento da atenção básica, que é a porta de entrada do sistema. Também é preciso investir em telemedicina, levar mais profissionais para o interior com incentivos adequados e melhorar a logística de transporte de pacientes, incluindo o suporte à aviação regional para emergências. Além disso, a União pode atuar na modernização de hospitais e no envio regular de recursos e insumos, garantindo um atendimento mais eficiente e próximo da população.
ET – Como equilibrar interesses regionais do Amazonas com pautas nacionais?
AV – É preciso, antes de tudo, colocar os fatos na mesa e ampliar a compreensão sobre o papel do Amazonas para o Brasil e para o mundo. Negar espaço ao estado que preserva uma das maiores riquezas ambientais do planeta é não entender a dimensão estratégica da nossa região. Equilibrar interesses regionais com pautas nacionais passa por sensibilidade e responsabilidade: proteger a floresta, sim, mas também garantir desenvolvimento, oportunidades e qualidade de vida para quem vive nela. O Amazonas não pode ser visto como obstáculo, e sim como parte da solução e é esse equilíbrio que deve orientar qualquer decisão no Congresso.
ET – O eleitor mais jovem não acompanhou sua trajetória. Como pretende se apresentar a esse público?
AV – Com naturalidade e diálogo aberto. Eu me preocupo com o futuro deles e procuro mostrar, com clareza, o que já fiz e o que ainda posso construir. Não faço distinção no tratamento. A juventude quer ser ouvida, respeitada e ter oportunidades, e é assim que me coloco. Tenho sido muito bem recebido pelos jovens justamente por manter esse compromisso.
ET – O que a população amazonense pode esperar do seu mandato caso eleito deputado federal?
AV – Tudo aquilo que já fiz ao longo da minha trajetória, agora de forma ainda mais aperfeiçoada. Pretendo manter a mesma linha de atuação, com coerência nas posições, energia para o trabalho e total abertura ao diálogo.
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