Um áudio divulgado nas redes sociais na terça-feira (12) mostra o treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão tentando coagir uma vítima a mudar o depoimento prestado à polícia e ajudá-lo a sair da prisão. Ele foi preso suspeito estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo informático.

Melqui teria feito uma chamada de vídeo de dentro da cadeia em Manaus para uma das vítimas que teria o denunciado por abusos sexuais. A ligação dura mais de 20 minutos e mostra o suspeito oferecendo apoio e ajuda profissional para tentar convencer a vítima a mudar o depoimento.

“A minha prisão tem data pra sair, isso aí é uma prisão temporária, é uma prisão de 30 dias, em 30 dias eu tô solto”, diz em um dos trechos.

O treinador também usa o nome do filho, o lutador de jiu-jitsu Mica Galvão, para prometer alavancar a carreira da vítima. “O Mica é gigante, o Mica vai te alavancar, e eu vou usar o Mica pra alavancar você”, afirmou. “Eu vou te ajudar a chegar onde você nunca imaginou chegar” e “eu vou honrar quem estava comigo nesse vendaval”, diz ele durante a chamada.

Em outro momento, ele pede diretamente para não permanecer preso. “Não deixa eu ficar aqui não, me ajuda”, declarou no áudio.

A equipe da Portal Em Tempo solicitou informações da Polícia Civil sobre o uso de celular por Melqui Galvão na cadeia e as intimidações às vítimas, mas até o momento não houve resposta.

Sobre o caso

Melqui Galvão foi preso suspeito de cometer crimes sexuais contra alunos, incluindo menores de idade. O caso é investigado pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo, que já reuniu relatos de ao menos três vítimas.

Esclarecimento

Em nota, a Policia Civil do Amazonas (PC-Am) informou que tomou conhecimento da entrada irregular de aparelho celular em dependências de unidade de custódia e adotou medidas administrativas para apuração dos fatos.

“A instituição esclarece que foram realizadas inspeções internas no dia 02/05 e, posteriormente, vistoria acompanhada pelo Ministério Público no dia 04/05. Após as verificações preliminares, foram identificados indícios de participação de um servidor, Enoque Galvão (irmão do custodiado) relacionados à facilitação do ingresso de terceiro não autorizado na unidade. O servidor responderá aos procedimentos administrativos disciplinares cabíveis junto à Corregedoria-Geral da PC-AM e foi afastado das suas funções operacionais”, esclareceu um trecho da nota.

O órgão também informou que não investigará qualquer conduta incompatível com os princípios da polícia. “A Polícia Civil do Amazonas reforça que não compactua com qualquer conduta incompatível com os princípios da legalidade, ética e disciplina institucional, adotando todas as providências administrativas e legais cabíveis com o rigor necessário”, finalizou.

Veja vídeo:

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