Manaus (AM) – Um jacaré pode ter devorado a cabeça de Marco Antônio Oliveira, de 24 anos, o jovem que foi encontrado esquartejado na última segunda-feira (8), no Ramal do Ipiranga, na Zona Leste de Manaus. De acordo com relatos de moradores daquela área do Distrito Industrial 2, nas proximidades da ribanceira onde a mala com os restos mortais foi desovada tem um lago.
O local é conhecido por ser habitado por vários jacarés de grande porte, que costumam caçar inclusive porcos-do-mato na região. A forte presença dos répteis levanta a hipótese de que, caso a cabeça da vítima tenha sido deixada ou arremessada separadamente na vegetação pelos executores, ela possa ter sido devorada pelos animais.
A trágica suspeita surge em meio à profunda dor da família de Marco Antônio, que se despediu do jovem na noite desta quarta-feira (10) em Itacoatiara, município do interior do Amazonas. O velório e o sepultamento aconteceram sob forte comoção, mas com uma angústia devastadora: o caixão foi fechado sem a cabeça da vítima, que permanece desaparecida.
O Instituto Médico Legal (IML) de Manaus realizou os exames nas partes localizadas e autorizou a liberação dos restos mortais para que os parentes pudessem realizar as honras fúnebres no bairro Tiradentes, na cidade natal do estudante.
O mistério na desova do ramal
O corpo de Marco Antônio foi localizado após denúncias anônimas em uma área verde perto de um balneário. Segundo o histórico das investigações, os assassinos esquartejaram o universitário, colocaram os pedaços dentro de uma mala de viagem e a jogaram em um despenhadeiro. Com o impacto da queda na ribanceira, o fecho da mala estourou, fazendo com que os restos mortais se espalhassem pela mata, mas a cabeça não foi encontrada no perímetro pelos peritos do Instituto de Criminalística.
Ao lado do cadáver mutilado, os criminosos deixaram um bilhete com acusações de que o jovem estaria sendo punido por um suposto crime de estupro. No entanto, a Polícia Civil do Amazonas não confirmou nenhuma acusação de crime sexual contra Marco Antônio. Em pronunciamentos recentes, familiares contestam de forma categórica o teor do bilhete e afirmam que o estudante era um jovem trabalhador, querido na comunidade e que foi atraído para uma emboscada (“casinha”) cruel antes de ser dopado e assassinado.
Duas frentes de investigação
O caso segue sob a tutela da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Os investigadores continuam realizando buscas na região do Ramal do Ipiranga na tentativa de solucionar o paradeiro da parte que falta do corpo e confirmar se houve a ação de animais silvestres no local da desova.
Paralelamente, a especializada trabalha com o setor de inteligência digital para identificar os envolvidos na tortura, execução e na gravação de vídeos sob coação que foram espalhados nas redes sociais para difamar a imagem do universitário. A família pede respeito à memória de Marco Antônio e exige que os criminosos sejam localizados e punidos.
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