O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu desculpas publicamente à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após a crise interna no Partido Liberal (PL). A reação ocorre após acusações de que ele teria tratado Michelle de forma ríspida durante divergências políticas.
Em publicação nas redes sociais, Flávio negou qualquer intenção de ofensa. Além disso, afirmou que sempre manteve respeito pela madrasta e reconheceu sua atuação no partido.
“Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, escreveu.
O senador também destacou que divergências são naturais no campo político. Segundo ele, diferenças de estratégia não significam ruptura de princípios, mesmo dentro da família.
Crise familiar expõe disputa política no Ceará
A crise ganhou força após declarações de Michelle Bolsonaro em vídeos publicados na quarta-feira (24). Ela afirmou ter recebido uma “punhalada” do enteado durante discussões internas do PL sobre alianças políticas no Ceará.
Segundo a ex-primeira-dama, Flávio a teria tratado de forma desrespeitosa e teria minimizado seu apoio político. O episódio ocorreu no contexto das articulações do partido para as eleições estaduais.
Na ocasião, Michelle criticou a possibilidade de apoio do PL a Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A decisão, segundo Flávio, fazia parte de uma estratégia para enfraquecer o PT no estado, onde o governador Elmano de Freitas (PT) disputará a reeleição.
A tensão se intensificou em novembro, durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará. Naquele evento, Michelle contestou a articulação política do partido.
Trocas de acusações ampliam desgaste
Após as críticas, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro reagiram publicamente. Em seguida, Michelle foi classificada como autoritária pelo próprio Flávio, que hoje é pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Nos vídeos mais recentes, Michelle afirmou que sempre agiu com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, disse que as críticas recebidas tiveram tom agressivo e coordenado.
“Os irmãos vieram juntos de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado”, afirmou.
Michelle reage e fala em distorção de falas
Nesta quinta-feira (25), Michelle Bolsonaro respondeu à publicação de Flávio. Ela afirmou que não guarda ressentimentos e negou qualquer tentativa de conflito pessoal.
“Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturbada”, escreveu a ex-primeira-dama no Instagram.
Além disso, ela reforçou que pretende atuar em conjunto com o partido nas eleições. No entanto, pediu cautela na divulgação de falas e evitou novos atritos públicos.
“Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz”, completou.
PL tenta conter crise interna
Diante do desgaste público, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que pretende dialogar com as partes envolvidas. Além disso, defendeu que divergências fazem parte do ambiente político.
Segundo ele, o partido segue unido em torno de seu principal objetivo eleitoral.
“O PL segue focado em retirar esse governo que está aí e devolver o Brasil aos brasileiros, e nada será capaz de nos tirar desse foco”, disse.
Tentativas de reconciliação e novo convite
Em seu pedido de desculpas, Flávio Bolsonaro afirmou que tentou contato com Michelle antes da nova crise pública. Segundo ele, o objetivo era convidá-la para uma reunião com lideranças femininas conservadoras.
“Hoje (quarta) pela manhã, eu mesmo fiz questão de ligar para Michelle e convidá-la, pessoalmente. Fiz mais um gesto não correspondido. Não atendeu. Deixei mensagem. Também não retornou”, afirmou.
Ele acrescentou que mantém o convite aberto e defendeu unidade dentro do partido.
“O convite segue de pé e o coração segue aberto, pois temos um Brasil para tirar das mãos do PT”, declarou.
Disputa no Ceará aprofunda divisões
A principal origem da crise está na disputa interna do PL no Ceará. Michelle defende o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) e critica uma possível aliança com Ciro Gomes.
Ela também afirmou que Ciro fez ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à família Bolsonaro durante a pandemia, o que inviabilizaria qualquer aproximação.
Além disso, a ex-primeira-dama argumenta que alianças devem ocorrer apenas no segundo turno.
Já Flávio defende a estratégia de ampliar alianças para enfrentar o PT no estado.
Futuro político e cenário eleitoral
Michelle Bolsonaro é hoje uma das principais lideranças femininas do PL e aparece como possível candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Pesquisas recentes apontam vantagem em diferentes cenários eleitorais.
Enquanto isso, a crise interna expõe divisões dentro da família Bolsonaro e pressiona o partido em meio às articulações para 2026.
Mesmo assim, lideranças do PL afirmam que seguem focadas na unidade e na disputa nacional.
(*) Com informações da BBC
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