Empreendedores indígenas das regiões do Alto Solimões e Alto Rio Negro participam da validação de tecnologias voltadas à bioeconomia amazônica, como o tingimento natural de tecidos e a rastreabilidade de artesanato. As soluções são desenvolvidas a partir dos conhecimentos tradicionais, da cultura local e dos recursos disponíveis nos territórios, com o objetivo de subsidiar uma metodologia que possa ser aplicada em outras comunidades.

A iniciativa é coordenada pelo Manaus Tech Hub (MTH), aceleradora de inovação e empreendedorismo do Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, responsável pela execução do projeto “Desenvolvimento de Processo Metodológico para Implementação de Tecnologias Indígenas na Bioeconomia Amazônica”, em parceria com o Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (Idesam).

Projeto cria metodologia para validar tecnologias indígenas

O projeto propõe a criação e a validação de uma metodologia voltada à implementação de tecnologias indígenas na bioeconomia. A proposta busca aproximar os conhecimentos tradicionais de uma aplicação estruturada, respeitando as especificidades dos territórios amazônicos.

Para isso, a iniciativa envolveu a seleção de tecnologias desenvolvidas por empreendedores indígenas, a construção coletiva dos critérios de validação, o aperfeiçoamento técnico das soluções e a realização de testes em campo.

Além disso, o projeto pretende consolidar um modelo que possa ser replicado em outras comunidades, fortalecendo o protagonismo indígena, a inclusão produtiva, a geração de renda e a conservação da sociobiodiversidade amazônica.

Segundo o analista de inovação do Manaus Tech Hub, Eduardo Santos, metodologias voltadas para negócios tecnológicos nem sempre atendem à realidade de iniciativas desenvolvidas em comunidades tradicionais.

“Atualmente, existem muitas ferramentas para startups de base tecnológica com modelos de negócio baseados na escalabilidade a partir da tecnologia. Mas quando falamos de tecnologias sociais e outros modelos de negócio que atuam diretamente com insumos e comunidades presentes nos territórios, existe uma necessidade muito grande que se faça a diferenciação de como devemos tratar e interagir com essas comunidades”, explica.

Soluções são desenvolvidas pelos próprios empreendedores indígenas

Diferentemente dos modelos convencionais, as tecnologias acompanhadas pelo projeto são criadas pelos próprios empreendedores indígenas. Esse processo considera os conhecimentos locais e os recursos disponíveis em cada território.

No Alto Rio Negro, uma das iniciativas é a ManioColor, desenvolvida pelo empreendedor indígena Sioduhi Waíkʉhn. A tecnologia utiliza resíduos das cascas de mandioca brava para produzir pigmentos naturais destinados aos setores de moda e design, agregando valor a um subproduto da agricultura tradicional.

Segundo Sioduhi, a iniciativa une conhecimentos ancestrais e inovação.

“Foi nesse contexto que criei a tecnologia ManioColor, conectando ancestralidade, inovação e novas perspectivas para os povos originários”, afirma.

O empreendedor destaca que a tecnologia está diretamente ligada aos conhecimentos tradicionais do Sistema Agrícola do Rio Negro.

“Ela vai além de uma inovação têxtil. Está ligada à memória e aos saberes ancestrais dos povos indígenas. Para a comunidade, isso mostra que esses conhecimentos também são ciência e podem contribuir com soluções para desafios atuais”, completa.

Blockchain amplia rastreabilidade do artesanato

No Alto Solimões, o projeto acompanha uma tecnologia de rastreabilidade aplicada ao artesanato indígena.

A solução utiliza blockchain, sistema digital que registra informações de forma segura, para identificar a origem de cada peça, incluindo dados sobre o produtor, o território e o processo de produção.

Dessa forma, a tecnologia contribui para garantir a autenticidade dos produtos, fortalecer a identidade cultural e ampliar as oportunidades de comercialização.

Manaus Tech Hub atua no fortalecimento da inovação na Amazônia

O Manaus Tech Hub é uma aceleradora de inovação e empreendedorismo criada pelo Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia para conectar startups, empresas e instituições públicas na Amazônia Ocidental e no Amapá.

Além de desenvolver projetos de inovação, a iniciativa promove programas de aceleração, mentorias, eventos de tecnologia, parcerias público-privadas e ações de inovação corporativa. O hub também apoia a captação de recursos por meio de instrumentos como a Lei de Informática.

(*) Com informações da Assessoria

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