Os trabalhadores da construção civil do Amazonas anunciaram uma paralisação das atividades para a próxima quarta-feira (15). A categoria reivindica reajuste salarial de 10% na data-base e decidiu manter a mobilização mesmo após o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sinduscon-AM) conceder reajuste de 6%, com efeito retroativo a 1º de junho de 2026.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial do Amazonas (Sintracomec-AM), Cícero Custódio, a categoria rejeitou a proposta do setor patronal porque considera que os salários perderam poder de compra nos últimos anos.

“Não podemos aceitar uma proposta do Sinduscon, que é indecente para o trabalhador. A classe da construção civil e da montagem aumentou quase 5% do efetivo em relação aos anos passados. Há sete anos, o servente da construção civil ganhava dois salários mínimos e hoje ganha um. O próprio profissional da construção civil ganhava, há sete anos, três salários mínimos. Hoje, ele ganha um e meio. A cada ano que passa o salário reduz e o profissional está perdendo seu valor”, disse Custódio.

Sindicato cobra reajuste e ampliação de benefícios

Além do reajuste salarial, o Sintracomec-AM reivindica melhorias nos benefícios oferecidos aos trabalhadores da construção civil.

“Eles não querem dar aumento na cesta básica, aumento do tíquete, nem querem dar um plano de saúde. Não querem pagar os exames para os trabalhadores dos canteiros de obras e outros benefícios. A gente não vai aceitar isso”, disse. “A partir de quarta-feira, a construção civil vai parar por um tempo determinado, que foi aprovado pelos trabalhadores. Nós vamos cumprir o que a classe decidiu”, anunciou.

De acordo com o presidente do sindicato, a remuneração praticada pelas empresas também tem contribuído para a migração de profissionais para o trabalho autônomo.

“Hoje, a maioria da classe prefere trabalhar por conta própria, porque ganha muito mais do que trabalhar de carteira assinada. Então, falta profissional, porque os próprios empresários da construção civil e montagem não dão valor à mão de obra nem ao que o trabalhador merece”, argumentou.

A paralisação foi aprovada em assembleia da categoria e deve atingir mais de 120 canteiros de obras em Manaus. O Sintracomec-AM representa trabalhadores de mais de 80 empresas da construção civil e montagem industrial e reúne cerca de 40 mil profissionais na capital.

Sinduscon-AM afirma que reajuste supera a inflação

Em nota divulgada nesta quinta-feira (9), o Sinduscon-AM informou que concedeu reajuste salarial de 6%, com efeito retroativo a 1º de junho de 2026. Segundo a entidade, o percentual é superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado historicamente como referência nas negociações da categoria.

O sindicato patronal informou que as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 ocorreram entre os dias 9 de junho e 7 de julho, mas terminaram sem acordo.

Em nota, o Sinduscon-AM afirmou que “as tratativas para a celebração da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 foram frustradas, exclusivamente, pelos representantes dos trabalhadores, na sede da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego do Amazonas (SRMTE/AM)”.

Ainda segundo a entidade, as reivindicações apresentadas pelo Sintracomec-AM representam custos incompatíveis com o cenário econômico do setor.

“O impasse decorreu das reivindicações apresentadas pela parte laboral, que representariam aumento de custos incompatível com a realidade econômica do setor no Amazonas, especialmente diante das novas diretrizes tributárias que entrarão em vigor em 2027 e que imporão desafios adicionais à atividade produtiva no Estado”, informou o sindicato.

O Sinduscon-AM informou que não concorda com a instauração de dissídio coletivo. A entidade afirma que participou de todas as rodadas de negociação, apresentou propostas e concedeu reajuste acima do índice de correção salarial utilizado nas convenções anteriores.

Confira na íntegra a nota do Sinduscon-AM:

Leia Mais:
Insumos da construção sobem até 16% e pressionam mercado no AM