Manaus (AM) – O Dia dos Pais também é uma data de reconhecimento para milhares de mães solo que, além da maternidade, assumem sozinhas a criação dos filhos. São mulheres que acumulam responsabilidades, conciliam trabalho e família e fazem do amor e da determinação a base para educar e garantir um futuro melhor aos filhos.

Entre elas está a jornalista e assessora de imprensa Islania Lima, de 43 anos, mãe de Felix Matheus, de 22 anos, Luana Lima, de 19, e Clarabella Lima, de 12. Há mais de duas décadas, ela assumiu a responsabilidade pela criação dos filhos e transformou os desafios da maternidade em motivação para construir uma carreira e garantir um futuro melhor para a família.

“Quando meu filho nasceu, entendi que precisava lutar por ele. Trabalhei muito para realizar meu sonho de cursar Jornalismo e dar uma vida digna aos meus filhos. Foi ali que minha prioridade passou a ser totalmente eles”, lembra.

Ao longo dos anos, ela assumiu praticamente sozinha a educação dos filhos. Embora os compromissos financeiros tenham sido cumpridos pelos pais, Islania afirma que a maior responsabilidade ficou concentrada nela: acompanhar cada fase da infância e da adolescência, orientar nas dificuldades da escola, conversar sobre relacionamentos, enfrentar situações de bullying e tomar decisões importantes.

“O lado financeiro é importante, mas o apoio emocional, a presença, o carinho e a educação fizeram parte da minha rotina. Muitas vezes estive sozinha para orientar, aconselhar e tomar decisões que normalmente seriam compartilhadas”, afirma.

Ela diz que o maior desafio sempre foi conciliar trabalho, estudos e a criação dos filhos, contando, em muitos momentos, com o apoio da própria mãe para conseguir trabalhar e estudar. Em compensação, sente orgulho ao olhar para a trajetória construída pela família.

“Tenho orgulho de estar formando pessoas de bem. Meu maior patrimônio não é o que consegui comprar, mas os valores que ensinei dentro de casa. Hoje vejo meus filhos construindo suas vidas com responsabilidade e caráter. Isso mostra que todo esforço valeu a pena”, destaca.

Renilda superou desafios para criar três filhos

Outra história que retrata a realidade das mães solo é a da diretora executiva Renilda Moita. Ela conta que a vida mudou completamente após a separação, quando percebeu que a criação dos três filhos passaria a depender quase exclusivamente dela.

“Não tive tempo para lamentar. Meus filhos precisavam de mim e eu precisava seguir em frente. Abri mão dos meus próprios sonhos para que para que os filhos realizassem os deles. Também descobri uma força inexplicável que só quem vive essa realidade consegue compreender”, pontua.

Para garantir que nada faltasse dentro de casa, Renilda multiplicou jornadas de trabalho. Deu aulas em cursos técnicos, orientou trabalhos acadêmicos, ministrou aulas de karatê, fez faxinas, vendeu refeições, roupas e bijuterias. O objetivo era um só: assegurar que os filhos continuassem estudando e tivessem oportunidades que ela considerava fundamentais para o futuro.

A rotina foi marcada por longas jornadas, noites mal dormidas e muitos desafios. Segundo ela, a fé e a determinação foram essenciais para superar os momentos mais difíceis e manter a família unida.

Hoje, Renilda comemora os resultados da dedicação. Eduardo tornou-se médico-veterinário, Eduarda está concluindo a graduação em Psicologia e Diego Leonardo cursa Ciências Contábeis.

“Meus filhos são a prova de que o amor, a disciplina e a educação transformam vidas. Nunca quis ser vista como heroína. Apenas fiz o que precisava ser feito para que eles tivessem oportunidades e construíssem o próprio futuro”, afirma.

Para Renilda, sua história representa a realidade de muitas mães solo que enfrentam diariamente a dupla e, muitas vezes, tripla jornada para criar os filhos.

 “Não escrevo a minha história para dizer que fui uma heroína. Escrevo porque sei que existem milhares de mulheres vivendo a mesma realidade. Mulheres que acordam antes do dia amanhecer, enfrentam jornadas intermináveis de trabalho, voltam para casa cansadas e, ainda assim, encontram forças para cuidar dos filhos, da casa e dos próprios sonhos. Ser mãe solo nunca significou uma caminhada sozinha, mas caminhar com três motivos especiais para nunca desistir”, afirma.

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