O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta terça-feira (13) que o Brasil pode estar diante da maior fraude bancária de sua história. Ao comentar o caso do Banco Master, o ministro destacou a gravidade da situação e a necessidade de rigor na apuração dos fatos.

“O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país e temos que tomar todas as cautelas devidas”, afirmou Haddad em conversa com jornalistas na porta do ministério. “Garantindo espaço para a defesa se explicar, mas sendo firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público”.

Apoio ao Banco Central e fiscalização do TCU

Haddad comentou a inspeção do Tribunal de Contas da União (TCU) no Banco Central (BC), ressaltando que “toda transparência ajuda”. No entanto, o ministro reforçou sua confiança na instituição e no seu presidente, Gabriel Galípolo, com quem mantém contato diário.

“O trabalho feito pelo Banco Central é tecnicamente muito robusto”, disse. “Falei com o presidente do TCU [Vital do Rêgo] algumas vezes ao telefone durante a semana passada [e] penso que houve ali uma convergência sobre como ajudar, como fazer o melhor para o país conhecer a verdade, apurar responsabilidades, eventualmente obter ressarcimento dos prejuízos causados.”

Entenda o esquema e a prisão de Daniel Vorcaro

A declaração ocorre no mesmo dia em que o Banco Central determinou a liquidação do Master. A Polícia Federal prendeu o presidente do banco, Daniel Vorcaro, sob a acusação de liderar um esquema de fraudes em carteiras de crédito consignado vendidas ao BRB (Banco de Brasília). De acordo com a PF, as operações fraudulentas somam R$ 12,2 bilhões.

Além disso, o Banco Central identificou uma “ciranda financeira” bilionária envolvendo fundos de investimento. Tais operações movimentaram R$ 11,5 bilhões, conforme denúncia enviada ao Ministério Público Federal. O BC suspeita que os recursos estejam em nome de “laranjas” ligados a Vorcaro, em atos ocorridos entre julho de 2023 e julho de 2024.

Impacto nos cofres públicos e investidores

O ministro relembrou que o assunto é de extremo interesse público devido aos aportes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Agora, o fundo deverá honrar aproximadamente R$ 41 bilhões em dívidas do Master.

O caso também afeta diretamente investidores que possuíam aplicações não seguradas pelo FGC. Entre os principais prejudicados estão fundos de previdência estaduais do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, que registram perdas diretas com a quebra da instituição.

(*) Com informações da Folha S.Paulo

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