O amazonense Renato Belém está internado após ficar ferido em combate durante a guerra na Ucrânia. Ex-cinegrafista, ele deixou Manaus em setembro do ano passado e, desde então, passou a atuar ao lado do exército ucraniano contra a Rússia. Durante esse período, Belém integrou missões na linha de frente do conflito e acabou atingido enquanto participava de uma operação militar.
O confronto ocorreu na madrugada do dia 30 de janeiro, em Zaporíjia, região que concentra alguns dos embates mais violentos da guerra.
Missão em área de alto risco
Segundo Belém, o pelotão avançava por uma área de fronteira marcada por campos minados e fogo cruzado constante. Além disso, drones armados e ataques de artilharia dificultavam o deslocamento dos combatentes.
Inicialmente, o grupo previa percorrer cerca de oito quilômetros até um ponto estratégico. No entanto, devido aos riscos do terreno e aos ataques frequentes, o trajeto levou cinco dias.
Durante a operação, um míssil explodiu próximo ao esquadrão. Como resultado do impacto, os soldados foram lançados ao chão. Belém sofreu ferimentos na coxa e na panturrilha, perdeu muito sangue e precisou de atendimento médico. Ao mesmo tempo, outro combatente ficou ferido e um integrante do grupo morreu.
Relato nas redes sociais
Após alguns dias sem publicações, o amazonense explicou o desaparecimento temporário e, assim, tranquilizou amigos e familiares por meio das redes sociais.
“Quando a gente vai pra missão, não leva celular, então não tem como postar nada”, afirmou.
Em seguida, ele detalhou as dificuldades enfrentadas durante o deslocamento.
“Era uma caminhada de uns 8 km. A gente levou cinco dias porque é fronte. Cai artilharia na frente, atrás, do lado. Tem drone sobrevoando, drone com bomba, campo minado. Essa missão deu ruim”, relatou.
Ferimentos e resgate
Mesmo ferido, Belém ajudou a retirar um companheiro atingido. Ainda assim, o grupo conseguiu percorrer cerca de seis quilômetros até um ponto de retirada. Somente então um veículo blindado realizou o resgate.
“Perdi muito sangue, tive fraqueza, quase desmaiei. Mas conseguimos voltar. Só agradecer a Deus por estar com vida. Falta pouco pra eu ter alta”, disse.
Atualmente, ele segue internado em um hospital exclusivo para combatentes feridos. Segundo o próprio amazonense, o estado de saúde é estável e a recuperação avança.
“Eu estava na liderança do esquadrão. Fui ferido por estilhaço. Outro irmão meu foi ferido no pé. E infelizmente a gente teve uma baixa”, completou.
Conflitos intensos em Zaporíjia
Por fim, Zaporíjia permanece como um dos principais focos da guerra. A região registra, de forma recorrente, o uso de drones, minas terrestres e bombardeios, o que, consequentemente, torna as missões terrestres extremamente perigosas.
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