O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta segunda-feira (16) que Teerã está disposto a levar a guerra contra Israel e Estados Unidos “até o fim, aonde quer que ela leve, e ir até onde for preciso”.
“Acho que agora eles aprenderam a lição e entenderam com que tipo de nação estavam lidando: uma nação que não hesita em se defender e está pronta para levar a guerra até o fim, aonde quer que ela leve, e ir até onde for preciso”, afirmou Araghchi em entrevista coletiva.
Conflito segue após ataques recentes
Pouco mais de duas semanas após ataques de Israel e EUA a Teerã, o Irã continua respondendo. Além disso, o país ataca bases militares americanas, instalações econômicas e infraestrutura civil na região do golfo Pérsico, incluindo aeroportos, portos e refinarias.
Desde domingo, drones iranianos fecharam temporariamente o aeroporto de Dubai. Além disso, atingiram uma importante instalação petrolífera nos Emirados Árabes Unidos.
Israel mantém ofensiva e planeja mais semanas de conflito
Israel segue bombardeando alvos no Irã. Por outro lado, anunciou planos para pelo menos mais três semanas de operação militar.
“Queremos garantir que eles estejam o mais fracos possível, este regime, e que degrademos todas as suas capacidades, todas as partes e todos os braços de seu aparato de segurança”, disse o porta-voz militar israelense, Nadav Shoshani.
Trump afirma vitória e busca acordo
O presidente Donald Trump declarou no sábado que o Irã estaria “vencido e em busca de um acordo”.
“A mídia que divulga informações falsas e odeia reportar o quão bem o Exército dos Estados Unidos tem se saído contra o Irã, que está totalmente vencido e quer um acordo, mas não um acordo que eu aceitaria”, publicou Trump na Truth Social.
Na semana anterior, ele também afirmou que “praticamente não sobrou nada para atacar” no Irã e que os EUA já venceram a guerra.
Irã não solicita cessar-fogo
Araghchi afirmou que o Irã não solicitou cessar-fogo e não manteve comunicações com os EUA. Assim, segundo ele, o conflito só terminará quando houver garantias de que não será reiniciado.
“Esta guerra terminará quando tivermos certeza de que não se repetirá e que as reparações serão pagas. Vivenciamos isso no ano passado: Israel atacou, depois os Estados Unidos… eles se reagruparam e nos atacaram novamente”, declarou o chanceler, referindo-se à guerra de 12 dias de junho de 2025.
Evidências de ataques a partir de bases americanas
O ministro apontou que Teerã possui “amplas evidências” de que bases americanas no Oriente Médio são usadas para atacar o Irã.
“Temos amplas evidências disso: imagens de satélite e vigilância eletrônica demonstram que bases americanas nesta região estão sendo usadas para ataques”, disse ao veículo Al-Araby Al-Jadeed. Além disso, ele citou lançamentos de mísseis dos Emirados Árabes Unidos contra a ilha de Kharg, importante centro petrolífero iraniano.
Araghchi alertou que intervenções de outros países podem gerar “uma escalada” na guerra. O chanceler reiterou que o estreito de Hormuz permanece aberto apenas para “inimigos e aqueles que apoiam sua agressão”.
Trump pressiona aliados internacionais
Em resposta, Trump pediu à OTAN e à China que enviem navios de guerra para garantir a segurança do estreito.
“É justo que aqueles que se beneficiam desse estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça ali”, disse, prometendo que a Marinha dos EUA escoltará petroleiros “muito em breve”.
Ele ainda alertou sobre “consequências muito ruins para o futuro da OTAN” caso países membros não cooperem. Além disso, Trump mencionou que esperava colaboração de China, Japão, Coreia do Sul, França e Reino Unido.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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