Falar em saúde mental deixou de ser exceção para se tornar uma necessidade cotidiana. Em um cenário de sobrecarga emocional, pressão social e rotinas cada vez mais intensas, cuidar da mente passou a ser tão essencial quanto cuidar do corpo. Ainda assim, a forma como tratamos esse tema, especialmente no âmbito das políticas públicas, muitas vezes permanece limitada ao discurso, sem alcançar, de fato, a realidade das pessoas.

É preciso reconhecer que saúde mental não se resolve apenas com atendimento especializado, embora este seja fundamental. Existe uma dimensão preventiva que ainda é pouco explorada pelo poder público e é exatamente nesse ponto que o esporte se apresenta como uma ferramenta extremamente eficaz. Não se trata apenas de promover atividade física, mas de criar espaços de convivência, pertencimento e equilíbrio.

A prática esportiva, sobretudo em ambientes coletivos, tem impacto direto na redução do estresse, da ansiedade e até de quadros depressivos. Mais do que benefícios fisiológicos, o esporte oferece algo que muitas vezes falta no dia a dia, como conexão humana. Em uma sociedade marcada pelo isolamento, pelo excesso de informação e pela constante cobrança por desempenho, momentos simples como uma caminhada em grupo, um aulão comunitário ou uma corrida ao ar livre ganham um significado muito maior do que aparentam.

E nesse ponto é importante reconhecer um movimento que já vem acontecendo no Amazonas. Há uma crescente valorização do esporte no cotidiano das pessoas. Cada vez mais, vemos cidadãos que após um dia de trabalho, ocupam as praças dos bairros para caminhar, correr ou participar de aulas de ginástica. As crianças, por sua vez, demonstram grande interesse pelas escolinhas de futebol e outras atividades esportivas, criando desde cedo uma relação positiva com o esporte e com hábitos mais saudáveis. Esse movimento espontâneo é extremamente relevante e revela que a sociedade já compreendeu, na prática, a importância da atividade física para o bem-estar.

Exemplo disso é o grupo formado por homens e mulheres, do bairro Jardim Mauá, que semanalmente se reúne para a prática de atividades físicas por meio do projeto Viva Mais Fitness. Iniciativas como essa demonstram, na prática, como o esporte vai além do condicionamento físico, promovendo bem-estar, fortalecimento de vínculos e melhoria da saúde mental. São ações simples, mas de grande impacto social, que revelam o protagonismo da própria comunidade na construção de uma rotina mais saudável.

No entanto, esse avanço ainda ocorre, em grande parte, de forma orgânica, sem o devido suporte estrutural do poder público. Falta ampliar, organizar e fomentar essas iniciativas, garantindo infraestrutura adequada, segurança, profissionais qualificados e acesso contínuo às atividades. O que hoje já é uma tendência positiva pode e deve ser fortalecido como política pública estruturada, com planejamento e continuidade.

Nesse contexto, ações que aproximam o esporte da comunidade assumem papel relevante. Programações abertas, atividades coletivas e eventos que incentivam a participação popular contribuem não apenas para a promoção da saúde, mas também para o fortalecimento dos vínculos sociais. São iniciativas que, ainda que simples, geram efeitos concretos na qualidade de vida das pessoas.

É nesse sentido que eventos como os eventos promovidos pela Comissão de Esporte da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, ganham ainda mais relevância. As ações incentivam práticas que impactam diretamente a saúde mental da população.

Cuidar da mente não pode ser tratado como algo distante ou inacessível. Muitas vezes, começa com o movimento, com a ocupação de espaços públicos, com a construção de rotinas mais saudáveis e com o incentivo a práticas simples, mas transformadoras. O esporte, nesse contexto, deixa de ser apenas lazer e passa a ser instrumento de política pública, capaz de prevenir, integrar e promover qualidade de vida.

Talvez o grande desafio esteja justamente em transformar esse movimento que já existe em algo ainda mais estruturado e acessível. Porque, no fim das contas, investir em esporte é também investir em saúde mental e isso não pode mais ser tratado como opcional.

Roseane Torres Lima é advogada há 10 anos, pós-graduanda em ESG e Sustentabilidade. Atuou como assessora e procuradora judicial e do meio ambiente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), com experiência em gestão ambiental, fundiária e políticas públicas na Amazônia

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