Uma família brasileira morreu em um ataque de Israel no Líbano, no domingo (26), após retornar à própria casa, no distrito de Bint Jbeil, no sul do país. Eles aproveitaram o cessar-fogo entre os dois países para verificar a residência e retirar pertences. No entanto, enquanto se preparavam para sair, um bombardeio atingiu o local.
Manal Jaafar e o filho Ali Nader, de 11 anos, ambos brasileiros, morreram junto com o pai, o libanês Ghassan Nader. Além disso, outro filho do casal sobreviveu e segue em recuperação.
Ataque surpreendeu família durante saída
Segundo Bilal Nader, irmão de Ghassan, a família avaliou a casa, tomou café da manhã e, em seguida, começou a arrumar as malas para sair. Nesse momento, o ataque ocorreu.
De acordo com a imprensa local, o imóvel ficava em Burj Qalaway, uma municipalidade no distrito de Bint Jbeil, na província de Nabatiyeh. Além disso, a área está entre as localidades que receberam alertas de evacuação do Exército de Israel nesta terça-feira (28).
Em entrevista à Globo, Bilal relatou que os sobrinhos estavam do lado de fora da casa no momento da explosão e voaram com o impacto. O mais novo não resistiu e já foi enterrado no Líbano. Já os corpos do irmão e da cunhada ainda não foram encontrados.
Além disso, Bilal afirmou que a explosão destruiu completamente a casa de três andares.
Histórico da família e relatos de medo
O jornalista Ali Farhat afirmou ao portal Panorama Real que a família viveu em Foz do Iguaçu (PR) antes de se mudar para o Líbano, há cerca de dez anos. Segundo ele, Ghassan atuava como intelectual e trabalhava com causas humanitárias.
O clima de medo na região aparece no relato de um familiar à Globonews:
“Todo dia dormimos com medo, acordamos com medo. Hoje falo com um amigo vivo, amanhã ele está morto por causa de um bombardeio israelense no Líbano”.
Além disso, segundo o mesmo familiar, uma empregada doméstica também teria morrido no ataque.
Por outro lado, um irmão de Manal afirmou ao G1 que a família se mudou para o Brasil na década de 1990. Na época, eles passaram pelo processo de naturalização em Foz do Iguaçu e permaneceram no país até 2010, quando retornaram ao Líbano.
Itamaraty condena ataque
O Ministério das Relações Exteriores manifestou condolências e condenou o ataque.
“Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, às quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil)”, diz a nota do Itamaraty.
Trégua não impede continuidade dos ataques
Embora Israel e Líbano mantenham um cessar-fogo, os confrontos continuam. Os combates seguem desde que o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã, que também enfrenta ofensivas de Washington e Tel Aviv desde 28 de fevereiro.
Na última quinta-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão da trégua por mais três semanas. Inicialmente, o acordo havia sido firmado no dia 16 deste mês. Além disso, os Estados Unidos atuam como mediadores nas negociações entre os dois países, que estão formalmente em guerra desde a criação do Estado de Israel.
Mesmo com a redução na intensidade dos ataques, as ofensivas persistem. Israel mantém tropas em partes do sul do Líbano e afirma que suas ações seguem os termos da trégua, já que o Hezbollah continua atacando suas forças.
Hezbollah segue no centro do conflito
As negociações para encerrar o conflito envolvem diretamente o Hezbollah, grupo xiita apoiado pelo Irã. Além de atuar como uma poderosa força paramilitar —considerada mais forte que o próprio Exército libanês—, o grupo também participa da política e ocupa cargos no governo.
O sistema político libanês, por sua vez, se organiza com base em divisões sectárias, o que distribui funções entre diferentes grupos religiosos e sociais.
Atualmente, o Hezbollah mantém forte presença no sul do Líbano, em áreas do sul de Beirute e no vale do Beqaa, no leste do país. Por isso, Israel exige o desarmamento do grupo e sua saída da região.
Além disso, uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, de 2006, proíbe a atuação da facção no sul libanês e também veta a presença de forças estrangeiras no território sem autorização do governo do Líbano.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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