Dois incêndios florestais atingem o norte do Japão e já obrigaram a evacuação de mais de 3.000 pessoas nos últimos dias. Além disso, mais de mil bombeiros atuam desde a semana passada para conter o avanço das chamas no município de Otsuchi, que tem cerca de 11 mil habitantes.
Fogo avança em área montanhosa e desafia equipes
O fogo começou na quarta-feira (22) em uma região montanhosa. Em seguida, um segundo foco surgiu nas proximidades e passou a ameaçar residências.
De acordo com autoridades locais, o terreno acidentado e os ventos fortes dificultam o combate às chamas. Além disso, a área atingida já soma 1.618 hectares, segundo a rede estatal NHK.
Uma chuva registrada nesta segunda-feira (27) ajudou a reduzir parcialmente a intensidade do fogo. No entanto, as equipes seguem em alerta, já que novos focos continuam surgindo.
Incêndios crescem com clima mais seco na região
Embora o Japão registre historicamente poucos incêndios florestais, o cenário mudou nos últimos anos. Com isso, a frequência dos eventos aumentou.
Especialistas apontam que os primeiros meses da primavera se tornaram mais quentes e secos. Além disso, os ventos intensificam a propagação das chamas antes da temporada de chuvas.
A área afetada em Otsuchi é a segunda maior já registrada no país. Ela fica atrás apenas do incêndio ocorrido em Ofunato em 2025, que destruiu cerca de 3.370 hectares.
Cidade ainda carrega memória do tsunami de 2011
Otsuchi também enfrenta o impacto emocional de outro desastre. Em 2011, um terremoto seguido de tsunami devastou a região e deixou marcas profundas na população.
O prefeito Kozo Hirano destacou a preocupação com os moradores. “Não posso deixar que as pessoas percam suas casas novamente depois de já as terem perdido uma vez com o tsunami”, afirmou a jornalistas.
Além disso, ele informou que o município busca apoio de outras autoridades e oferece serviços como banhos termais para reduzir o estresse dos evacuados.
Histórias de sobreviventes mostram impacto da tragédia
Entre os desalojados está a enfermeira aposentada Taeko Kajiki, de 76 anos. Ela também sobreviveu ao desastre de 2011.
Kajiki relatou que levou consigo itens essenciais e seu animal de estimação. “Mesmo durante o desastre de 2011, esta área não queimou. Houve um tsunami, mas não tivemos incêndios aqui”, contou à Reuters.
Operação mobiliza bombeiros e Forças de Autodefesa
As equipes de combate ao fogo recebem apoio de helicópteros de várias prefeituras. Além disso, as Forças de Autodefesa do Japão realizam lançamentos de água por via aérea.
O bombeiro voluntário Masashi Kikuchi relatou as dificuldades. “Com a terra tão seca, os incêndios continuam a surgir. Apagamos um, e depois corremos para extinguir outro, repetidamente”, disse.
Danos materiais e situação sob monitoramento
Até o momento, ao menos oito edifícios, incluindo uma residência, foram danificados ou destruídos. No entanto, as autoridades não registraram feridos ou mortes.
Enquanto isso, as equipes seguem em campo para conter novos focos e evitar a expansão do incêndio na região.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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