O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta quarta-feira (29), em meio ao impasse nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio. O republicano publicou uma imagem gerada por Inteligência Artificial em que aparece segurando uma arma, com explosões ao fundo, acompanhada da mensagem: “Chega de ser bonzinho”.
Além disso, Trump criticou diretamente o governo iraniano. No post, afirmou que Teerã “não é capaz de se organizar”. “Não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor se apressarem”, escreveu.
Enquanto isso, a Casa Branca analisa a proposta mais recente do Irã, que prevê a reabertura do estreito de Hormuz — rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
No entanto, segundo a agência Reuters, Trump demonstra insatisfação com o plano. De acordo com relatos de integrantes do governo, o presidente ordenou que sua equipe se prepare para um possível bloqueio prolongado dos portos iranianos. Com isso, ele pretende pressionar Teerã a fazer concessões.

Irã propõe negociação em etapas
Por outro lado, o Irã apresentou uma proposta baseada em fases. Em um primeiro momento, o país exige o fim da guerra e garantias de que os Estados Unidos não retomem o conflito.
Em seguida, as negociações tratariam do bloqueio naval americano e do futuro do estreito de Hormuz, que Teerã pretende reabrir sob seu controle. Somente depois dessas etapas, os dois lados discutiriam outros pontos, incluindo o programa nuclear iraniano.
Impasse sobre programa nuclear
O principal entrave permanece na questão nuclear. O Irã busca o reconhecimento do direito de enriquecer urânio, enquanto Trump defende que esse tema seja tratado desde o início das negociações.
Segundo o jornal The Wall Street Journal, o presidente americano não acredita na boa fé dos iranianos. Além disso, ele avalia que pode forçar o país a suspender o enriquecimento de urânio por até 20 anos e aceitar restrições mais rígidas.
Estratégia prioriza pressão econômica
Apesar das tensões, Trump ainda evita decisões mais drásticas. Conforme o Wall Street Journal, o presidente considera tanto retomar bombardeios quanto abandonar o conflito como opções arriscadas.
Dessa forma, a estratégia atual prioriza a pressão econômica. O governo americano pretende atingir as exportações de petróleo do Irã até que o país aceite as exigências.
Congresso debate guerra no Oriente Médio
Em meio ao cenário de incertezas, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, presta nesta quarta-feira seu primeiro depoimento ao Congresso sobre o conflito.
O secretário de Defesa, criticado pela oposição democrata por falta de transparência, responderá a parlamentares da Comissão de Forças Armadas da Câmara ao lado de Dan Caine, chefe do Estado-Maior.
Pressão interna cresce nos EUA
Ao mesmo tempo, Trump enfrenta pressão dentro do próprio país. Segundo pesquisa Reuters/Ipsos, a taxa de aprovação do presidente caiu ao nível mais baixo do atual mandato.
A insatisfação cresce, principalmente, por causa do custo de vida e da impopularidade da guerra.
Diplomacia enfrenta novos desafios
A proposta iraniana mais recente foi transmitida com mediação do Paquistão. Segundo a agência Fars, o documento estabelece linhas vermelhas relacionadas ao programa nuclear e ao estreito de Hormuz.
O Irã insiste que seu programa atômico tem fins civis.
Já o secretário de Estado, Marco Rubio, avaliou a proposta de forma cautelosa. “Eles são muito bons negociadores”, afirmou. Ainda assim, reforçou que qualquer acordo deve impedir o avanço do país rumo a uma arma nuclear.
Por outro lado, o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei Nik, criticou a postura americana. Segundo ele, Washington “deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais”. “Os Estados Unidos já não estão em condições de ditar sua política às nações independentes”, afirmou.
Conflitos persistem na região
Enquanto as negociações avançam lentamente, a tensão continua no Oriente Médio. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que Israel deve “implementar plenamente” o cessar-fogo antes de iniciar negociações diretas.
Apesar da trégua, Israel e o Hezbollah seguem trocando acusações. O Exército libanês informou que um soldado e seu irmão morreram após um ataque israelense em Bint Jbeil.
Os militares israelenses afirmaram que investigam o caso.
Além disso, Israel relatou a morte de um prestador de serviços em um ataque de drone atribuído ao Hezbollah. O grupo também lançou dois foguetes contra território israelense nesta quarta-feira. Até o momento, não há registro de vítimas.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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