A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro foram utilizados para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele reside desde fevereiro de 2025.
Segundo a investigação, os valores teriam sido transferidos para um fundo sediado no Texas, por meio da empresa Entre Investimentos e Participações. O recurso teria como finalidade financiar o filme “Dark Horse” (“azarão”), produção baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
PF investiga destino dos recursos
A Polícia Federal suspeita que o fundo seja controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro. A linha de investigação foi divulgada inicialmente pelo site Amado Mundo e posteriormente confirmada pela Folha.
Agora, os investigadores tentam esclarecer se os recursos, supostamente enviados a pedido do proprietário do Banco Master, foram integralmente aplicados na produção cinematográfica ou se parte do dinheiro teria sido utilizada para manter Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A Folha informou que tentou contato com Eduardo Bolsonaro nesta quinta-feira (14), por telefone e mensagens de WhatsApp, mas não recebeu resposta.
Flávio Bolsonaro confirmou pedido de recursos
Na quarta-feira (13), o site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, solicitou apoio financeiro a Daniel Vorcaro para viabilizar o filme.
Segundo a publicação, o ex-banqueiro teria desembolsado R$ 61 milhões. Além disso, um áudio de setembro de 2025 mostraria Flávio cobrando novos repasses financeiros.
O senador confirmou ter solicitado recursos para a produção, mas negou qualquer recebimento de vantagens ou contrapartidas.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou Flávio.
No comunicado, o senador declarou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, completou Flávio, acrescentando ser favorável à CPI do Master.
Produtora e Mário Frias negam repasses
A Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme, negou ter recebido recursos do ex-banqueiro para o projeto.
O produtor-executivo e ex-deputado federal Mário Frias também negou a existência de repasses ligados ao filme.
Eduardo Bolsonaro responde ação no STF
Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos no ano passado. Atualmente, ele é réu no Supremo Tribunal Federal em uma ação que apura suposta coação no curso do processo de forma continuada.
De acordo com a acusação, o ex-deputado teria atuado para buscar sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras com o objetivo de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro relacionado à trama golpista.
A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República em 21 de setembro, após a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O documento menciona declarações públicas, entrevistas e publicações atribuídas a Eduardo Bolsonaro sobre sua atuação na defesa de sanções internacionais. Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia por unanimidade.
No ano passado, Eduardo classificou a acusação como “fajuta” e afirmou que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, seria “lacaio de [Alexandre de] Moraes”. A defesa também sustenta que não houve violência ou grave ameaça no episódio.
(*) Com informações da Folha de S.Paulo
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