Manacapuru (AM) – Um comentário feito por uma pessoa que se identificou como familiar do obreiro preso suspeito de aliciar e estuprar uma criança de 11 anos levou a delegada Joyce Coelho, da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), a se pronunciar nas redes sociais contra a culpabilização da vítima.
A publicação dizia que a menina era “enxerida” nas redes sociais e insinuava que o comportamento dela teria contribuído para o crime. “Sou da família dele e a menina era bastante enxerida nas redes sociais, não só com ele, mas com vários meninos. Postava cada foto que uma menina de 11 anos não faz isso”, dizia o comentário.
Em vídeo, a delegada Joyce Coelho classificou a fala como absurda e reforçou que nenhuma atitude da vítima justifica crimes de abuso sexual contra crianças. “É uma criança de apenas 11 anos de idade. Esse tipo de pessoa diz que a mulher mereceu ser estuprada porque estava de roupa curta ou porque estava bêbada”, afirmou.
A delegada também criticou a cultura de responsabilizar vítimas em casos de violência sexual e feminicídio. “Não se arranja justificativa para o injustificável. Não seja esse tipo de pessoa”, declarou.
Sobre o caso
O caso aconteceu em Manacapuru, no interior do Amazonas. O suspeito, de 26 anos, era obreiro da igreja frequentada pela família da vítima e foi preso em flagrante na terça-feira (19) pelos crimes de aliciamento de criança por meio eletrônico e estupro de vulnerável.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após a mãe da menina encontrar mensagens de teor sexual trocadas entre o homem e a filha por uma rede social.
De acordo com Joyce Coelho, o suspeito usava declarações amorosas para envolver emocionalmente a criança e dizia manter um relacionamento amoroso com ela.
“O autor insinuava namoro e casamento com a vítima. Também pedia fotos íntimas da menina e dizia que aquilo deveria permanecer em segredo por ser um ‘amor proibido’, explicou a delegada.
A mãe da criança percebeu mudanças no comportamento da filha, que passou a ficar mais agressiva e isolada, usando o celular. Após encontrar as mensagens, ela registrou o conteúdo e procurou a delegacia. Durante depoimento, a criança confirmou que conheceu o suspeito em um evento religioso e que os dois passaram a manter contato pelas redes sociais.
O aparelho celular utilizado pelo suspeito foi apreendido e será encaminhado para perícia técnica, visando aprofundar as investigações e verificar a existência de outros conteúdos relacionados aos fatos apurados.
Veja vídeo:
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