Mais de 200 agulhas espalhadas pelo corpo ajudaram a desmontar a farsa de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, que fingia ser uma adolescente de 12 anos para conseguir moradia, alimentação e apoio financeiro de famílias em diferentes regiões do país. A Polícia Civil prendeu a mulher na terça-feira (2), em Joinville, no Norte de Santa Catarina.

Segundo os investigadores, Amanda usava nomes falsos e inventava histórias para sensibilizar as vítimas. Em depoimento, ela confessou que mentia a idade e a identidade para conseguir comida e um lugar para morar. Além disso, a polícia identificou golpes semelhantes em pelo menos sete estados brasileiros.

Exames revelaram mais de 200 agulhas

Foto: Reprodução

Um dos episódios que mais chamou a atenção ocorreu no Rio de Janeiro. Na época, uma voluntária acolheu a suposta adolescente, mas começou a desconfiar da história após perceber comportamentos estranhos e conflitos provocados pela própria Amanda.

Pouco depois, agulhas passaram a aparecer pelo corpo da mulher. Diante da situação, a voluntária a levou para realizar exames de imagem em uma unidade de saúde. Os médicos então identificaram mais de 200 agulhas espalhadas pelo corpo de Amanda.

Posteriormente, um caso semelhante surgiu em Goiás. Dessa vez, um exame realizado no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente confirmou novamente a presença das agulhas. Além disso, o resultado ajudou a revelar que a suposta adolescente era, na verdade, uma mulher adulta.

Mamadeira, chupeta e voz infantil

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Para sustentar a farsa, Amanda afirmava ser autista e adotava comportamentos associados à infância. Conforme a investigação, ela usava mamadeiras, chupetas e um objeto conhecido como “cheirinho” para dormir.

Além disso, afinava a voz e simulava crises emocionais para despertar compaixão e fortalecer os laços com as pessoas que a acolhiam.

Em Joinville, por exemplo, Amanda morou durante cerca de 14 meses com uma família que acreditava estar ajudando uma adolescente em situação de vulnerabilidade. Nesse período, ela chegou a ganhar uma festa de aniversário ao completar os supostos 12 anos.

Segundo o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, a suspeita manipulava emocionalmente as vítimas e criava fortes vínculos afetivos com as famílias.

Passagens por vários estados

As investigações apontam que Amanda passou por cidades do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Ceará e Santa Catarina utilizando o mesmo método.

Em Goiás, ela recebeu condenação por falsidade ideológica e acumulava um mandado de prisão em aberto.

Agora, a Justiça de Santa Catarina mantém a prisão preventiva da suspeita. Enquanto isso, a defesa pediu uma avaliação psiquiátrica, solicitação que a Justiça aceitou.

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